- A atriz Denise Fraga destacou a necessidade de regulamentação do streaming e de mais incentivos ao audiovisual brasileiro durante o 53º Festival de Cinema de Gramado.
- Fraga afirmou que o Brasil tem potencial para ser uma potência cinematográfica, mas enfrenta dificuldades financeiras.
- O filme “Sonhar com Leões”, protagonizado por Fraga, estreia em 11 de setembro e aborda a eutanásia através da história de uma imigrante brasileira em Lisboa.
- O Brasil possui leis de incentivo ao cinema, como a Lei do Audiovisual, e recebeu investimentos significativos durante a gestão de Lula, totalizando R$ 2,8 bilhões.
- A proposta de regulamentação do streaming enfrenta resistência na Câmara dos Deputados, com preocupações sobre liberdade de expressão online.
Gramado (RS) – A atriz Denise Fraga enfatizou a urgência de regulamentação do streaming e de mais incentivos ao audiovisual brasileiro durante o 53º Festival de Cinema de Gramado. Em entrevista à EXAME, Fraga destacou que o Brasil tem potencial para se tornar uma das maiores potências cinematográficas do mundo, mas enfrenta desafios financeiros. “É muito difícil ganhar dinheiro com filme no Brasil”, afirmou.
O filme “Sonhar com Leões”, protagonizado por Fraga, estreará nos cinemas brasileiros em 11 de setembro e concorre ao principal prêmio do festival. A produção, que é uma co-produção entre Brasil, Portugal e Espanha, aborda a eutanásia através da história de Gilda, uma imigrante brasileira em Lisboa com uma doença terminal. A atriz ressaltou que o apoio governamental ao cinema nacional é crucial para que produções brasileiras ganhem espaço internacional.
Desafios da Indústria
Atualmente, o Brasil conta com leis de incentivo ao cinema, como a Lei do Audiovisual, que busca fomentar a indústria. Durante a gestão de Lula, o setor recebeu investimentos recordes, totalizando R$ 2,8 bilhões através da lei Paulo Gustavo. O secretário do Ministério da Cultura (MinC) informou que, entre 2023 e 2025, serão alocados R$ 2 bilhões pelo Fundo Setorial do Audiovisual.
Entretanto, a proposta de regulamentação do streaming, que já passou pelo Senado, enfrenta resistência na Câmara dos Deputados. O projeto, que altera a Medida Provisória 2228/01, é alvo de questionamentos políticos e ideológicos, com preocupações sobre possíveis restrições à liberdade de expressão online. A relatora, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), enfrenta dificuldades para avançar com a votação, que já foi adiada várias vezes.
O Futuro do Audiovisual
Fraga alertou que, sem a regulamentação e a proteção necessária, o cinema brasileiro corre o risco de “sucumbir”. A atriz defendeu a necessidade de cotas de tela e de uma regulação que favoreça o conteúdo nacional nas plataformas de streaming. A proposta atual sugere uma alíquota de 6% para empresas de streaming, enquanto o texto vigente impõe 3% para companhias com faturamento acima de R$ 96 milhões.
A discussão sobre o futuro do audiovisual brasileiro é crucial, pois o setor possui um vigor criativo significativo, capaz de conquistar prêmios internacionais. A regulamentação do streaming e o fortalecimento das políticas de incentivo são vistos como passos essenciais para garantir a sobrevivência e o crescimento da indústria cinematográfica no Brasil.
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