- Uma pesquisa da CLA Brasil revela que cinquenta por cento dos profissionais brasileiros já enfrentaram ou testemunharam assédio no trabalho.
- O estudo, realizado entre março e julho de 2023 com mais de quatrocentos respondentes, mostra que oitenta e cinco por cento dos agressores ocupam cargos de liderança.
- A pesquisa indica que sessenta e três por cento das vítimas são mulheres e trinta e oito por cento dos relatos vêm de profissionais com idades entre vinte e cinco e trinta e quatro anos.
- Cinquenta e cinco por cento dos casos de assédio ocorrem em empresas de médio porte, principalmente no setor de serviços.
- Apesar de muitas empresas terem políticas contra o assédio, cinquenta e três por cento dos profissionais nunca participaram de treinamentos sobre o tema.
Metade dos profissionais brasileiros já enfrentou ou testemunhou assédio no ambiente de trabalho, segundo uma pesquisa da CLA Brasil. O estudo, realizado entre março e julho de 2023 com mais de 400 respondentes, revela que 85% dos agressores ocupam cargos de liderança, evidenciando a necessidade urgente de mudanças culturais nas empresas.
A sócia da CLA Brasil, Mariana Laselva, destaca que o objetivo da pesquisa foi expor a dimensão real do problema e fornecer dados que ajudem as empresas a criar ambientes mais seguros e respeitosos. O levantamento mostra que o assédio é um problema estrutural, com 63% das vítimas sendo mulheres e 38% dos relatos vindo de profissionais jovens, entre 25 e 34 anos.
Dados Alarmantes
Os dados também indicam que 55% dos casos de assédio ocorrem em empresas de médio porte, especialmente no setor de serviços. As mulheres, historicamente sub-representadas em cargos de liderança, enfrentam maiores barreiras, refletindo-se em salários mais baixos e menor representatividade em posições estratégicas. Por outro lado, 66% dos agressores são homens, com a maioria na faixa etária de 35 a 44 anos.
Apesar de muitas empresas possuírem políticas formais contra o assédio, 53% dos profissionais nunca participaram de treinamentos sobre o tema. Apenas 47% confiam nos canais de denúncia disponíveis, o que perpetua a cultura do silêncio. Embora 54% dos entrevistados percebam uma postura clara das empresas contra o assédio, apenas 36% afirmam que as ações de conscientização são frequentes.
Cultura Organizacional
Laselva ressalta que a responsabilidade pelo combate ao assédio não deve ser apenas dos setores de compliance ou recursos humanos. A liderança, tanto executiva quanto intermediária, desempenha um papel crucial. Ignorar comportamentos inadequados ou minimizar denúncias normaliza o assédio. Por outro lado, gestores que impõem limites claros e escutam suas equipes promovem um ambiente de respeito.
Para que as políticas de combate ao assédio sejam efetivas, é necessário que façam parte das avaliações de desempenho dos gestores. Indicadores comportamentais devem ser considerados, e abusos precisam ser punidos, independentemente dos resultados financeiros. A valorização de líderes que promovem ambientes respeitosos deve ser uma prioridade nas campanhas e premiações das empresas.
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