- Nadja Mendes de Araújo, aos 57 anos, descobriu que seu pai, João Mendes de Araújo, foi assassinado pela repressão durante a ditadura militar no Brasil em 1972.
- Sua mãe, Maria de Lourdes Lima, fugiu para protegê-la, levando Nadja a acreditar que seu pai era um bandido e que sua mãe a abandonou.
- A revelação ocorreu em fevereiro de 2025, durante uma visita da Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) a Pernambuco.
- Nadja busca reparação do Estado, incluindo a retificação do atestado de óbito do pai e indenização para ela e seu irmão, já que não foi indenizada anteriormente devido ao prazo da Lei 9.140, de 1995.
- A presidente da CEMDP, Eugênia Gonzaga, argumenta que prazos legais não devem se aplicar a casos como o de Nadja, que agora busca justiça e reconhecimento para sua família.
Nadja Mendes de Araújo, aos 57 anos, desvendou a verdade sobre seus pais, que foram vítimas da ditadura militar no Brasil. Seu pai, João Mendes de Araújo, foi assassinado pela repressão em 1972, enquanto sua mãe, Maria de Lourdes Lima, fugiu para proteger a filha. A revelação ocorreu em fevereiro deste ano, quando a Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) esteve em Pernambuco.
Nadja cresceu acreditando que seu pai era um bandido e que sua mãe a abandonou. Ao descobrir a verdade, ela iniciou uma busca por informações, contatando grupos de parentes de vítimas e instituições de direitos humanos. “Minha vida foi uma mentira”, desabafa. Ela relembra momentos da infância, como quando seu pai a abraçava antes de desaparecer.
João Mendes, um dos líderes da Ação Libertadora Nacional, foi executado por agentes do DOI em Olinda. Documentos da Comissão Estadual da Verdade revelam que ele era registrado como agricultor, mas também trabalhou em uma empresa de trânsito. Nadja não foi indenizada pelo Estado, pois perdeu o prazo da Lei 9.140, de 1995, que reconhece os crimes da ditadura.
Atualmente, ela luta por reparação, solicitando a retificação do atestado de óbito do pai e indenização para ela e seu irmão. O advogado Marcelo Santa Cruz, que representa a causa, argumenta que o caso deve ser reaberto, considerando que Nadja só agora conhece sua história. Eugênia Gonzaga, presidente da CEMDP, defende que prazos legais não devem se aplicar a casos como o de Nadja.
A descoberta da verdade trouxe à tona um luto profundo. “A ditadura quase destruiu minha vida”, afirma Nadja, que agora se interessa por política e busca justiça para sua família. A luta por reconhecimento e reparação continua, refletindo as feridas ainda abertas da história brasileira.
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