- Marruecos enfrenta uma crise de superlotação em suas prisões, com mais de 100 mil internos e um nível de ocupação de 160%.
- As condições nas prisões são críticas, com até três reclusos ocupando o espaço destinado a um e apenas 1,73 metros quadrados por preso.
- O país lançou um sistema de penas alternativas, incluindo monitoramento eletrônico e trabalho comunitário, para reduzir a população carcerária.
- A nova legislação, em vigor desde 22 de agosto, visa substituir penas de prisão por alternativas em casos de delitos menores.
- O governo espera economizar 30 milhões de euros anuais, mas apenas 1.700 pessoas devem se beneficiar inicialmente das novas medidas.
Marruecos enfrenta uma grave crise de superlotação em suas prisões, com mais de 100.000 internos e um nível de ocupação de 160%. Essa situação resulta em condições desumanas, com até três reclusos ocupando o espaço destinado a um. Para enfrentar esse problema, o país lançou um novo sistema de penas alternativas, que inclui monitoramento eletrônico e trabalho comunitário, visando reduzir a população carcerária e alinhar-se a padrões internacionais.
Nos últimos dez anos, a população carcerária aumentou em 40%, segundo a Delegação Geral de Administração Penitenciária e Reinserção (DGAPR). As condições nas prisões são críticas, com falta de ventilação e saneamento, além da circulação de armas e drogas. A ONG Observatório Marroquino de Prisiones (OMP) alerta que a superlotação ultrapassa o limite que garante condições humanas de detenção, com cada preso tendo apenas 1,73 metros quadrados de espaço.
A nova legislação, que entrou em vigor em 22 de agosto, busca substituir penas de prisão por alternativas em casos de delitos menores. Um tribunal de Agadir já aplicou a nova norma, substituindo uma pena de dois meses de prisão por uma multa diária. Contudo, apenas a medida de monitoramento eletrônico foi parcialmente implementada até o momento, enquanto outras, como o trabalho comunitário, ainda não estão em vigor.
O governo espera que essas medidas resultem em uma economia de 30 milhões de euros anuais. No entanto, reincidentes e crimes graves, como terrorismo e tráfico de drogas, não se beneficiarão das novas penas. A implementação das penas alternativas enfrenta desafios, como o custo e a manutenção dos equipamentos de vigilância. A OMP vê a introdução dessas penas como uma oportunidade para aliviar a superlotação, mas estudos indicam que apenas 1.700 pessoas devem se beneficiar inicialmente.
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