- O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se opôs ao perdão judicial ao tenente-coronel Mauro Cid.
- Gonet criticou as omissões de Cid e afirmou que sua colaboração não deve ser considerada apenas como a de uma testemunha premiada.
- Ele defendeu uma pena superior a dois anos para Cid, devido a comportamentos contraditórios e resistência em cumprir o acordo de delação premiada.
- A defesa de Cid contestou as críticas, chamando Gonet de “desleal” e argumentando que Cid não pode ser punido por informações que não possui.
- Se o Supremo Tribunal Federal acatar a posição de Gonet, Cid poderá perder seu posto e patente.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se contra o perdão judicial ao tenente-coronel Mauro Cid, cuja delação premiada foi crucial para a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus envolvidos em um suposto golpe de Estado. Gonet destacou que, embora a Polícia Federal tenha descoberto a maior parte dos fatos de forma independente, a colaboração de Cid trouxe profundidade à investigação.
Em seu parecer, Gonet criticou as omissões de Cid, afirmando que não existe a figura da mera testemunha premiada. Ele já havia defendido, em julho, que a pena a ser imposta a Cid deveria ser superior a dois anos, devido ao seu comportamento contraditório e à resistência em cumprir as obrigações do acordo. A defesa do tenente-coronel contestou essas afirmações, chamando Gonet de “desleal” e argumentando que Cid não pode ser punido por não ter informações que não possuía.
Consequências Potenciais
Se a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) acatar a posição de Gonet, Cid poderá enfrentar uma condenação que ultrapasse os dois anos, o que resultaria na perda de seu posto e patente. O procurador ressaltou que a conduta de Cid, marcada por omissões de “fatos graves”, causou “prejuízos relevantes ao interesse público”, o que deve ser considerado na análise de eventuais benefícios legais.
O acordo de colaboração premiada firmado por Cid em 2023 prevê quatro benefícios, incluindo o perdão judicial ou uma pena privativa de liberdade não superior a dois anos, além de medidas de segurança para ele e sua família. A situação de Cid continua a gerar desdobramentos significativos no contexto das investigações sobre o golpe de Estado.
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