- Apenas 25% dos palestinos detidos em Israel são membros de grupos militantes, segundo dados militares israelenses.
- A maioria dos detidos é composta por civis, incluindo idosos e crianças, que enfrentam longos períodos sem julgamento.
- Entre os detidos, há profissionais de saúde e professores. Um caso notável é o de uma mulher de 82 anos, que ficou presa por seis semanas.
- A legislação israelense permite a detenção sem apresentação de provas, levantando questões sobre a legalidade dessas prisões.
- Organizações de direitos humanos criticam a detenção em massa de civis e a falta de justificativas adequadas para as prisões.
A detenção de palestinos em Israel tem gerado preocupações significativas, especialmente após a divulgação de dados que indicam que apenas 25% dos detidos são membros de grupos militantes, como Hamas ou Jihad Islâmica Palestina. A maioria dos prisioneiros é composta por civis, incluindo idosos e crianças, que enfrentam longos períodos sem julgamento.
A informação foi revelada pelo jornal britânico The Guardian, com base em dados militares israelenses confidenciais. Entre os detidos, estão profissionais de saúde, professores e até pessoas com deficiências. Um exemplo é Fahamiya al-Khalidi, de 82 anos, que ficou presa por seis semanas, e Abeer Ghaban, de 40 anos, que foi libertada após 53 dias. Ao sair, Abeer encontrou seus filhos mendigando nas ruas.
Um soldado israelense, que pediu anonimato, descreveu a situação na base militar de Sde Teiman, onde muitos palestinos enfermos e idosos são mantidos. Ele se referiu ao local como um “canil geriátrico”, destacando a inadequação do tratamento. Apesar de reconhecer que a detenção de Fahamiya foi um erro, as autoridades israelenses afirmam que até indivíduos com condições médicas podem estar envolvidos em atividades terroristas.
A Inteligência de Israel mantém um banco de dados com mais de 47 mil pessoas identificadas como combatentes. Desde o início da guerra em 7 de outubro de 2023, cerca de 6 mil palestinos foram detidos sob a legislação de combate a “combatentes ilegais”. Essa legislação permite a detenção sem apresentação de provas, o que levanta sérias questões sobre a legalidade e a justiça dessas prisões.
O diretor do grupo de direitos legais palestinos Adalah, Hassan Jabareen, criticou a lei, afirmando que ela facilita a detenção em massa de civis. Com a escalada do conflito, os prazos para acesso a advogados e juízes foram ampliados, permitindo que os detidos permaneçam sem julgamento por períodos prolongados. Desde o início da guerra, não há registros de julgamentos realizados.
Organizações de direitos humanos expressam preocupação com a detenção de civis sem justificativa adequada. Tal Steiner, do Comitê Público Contra a Tortura, destacou que muitos detidos acabaram sendo libertados, evidenciando a falta de fundamento para suas prisões. A situação continua a ser monitorada, enquanto as tensões na região permanecem elevadas.
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