- A Operação Sharpe, realizada em 8 de setembro, resultou na prisão de oito pessoas ligadas ao tráfico de drogas em São Paulo.
- Entre os detidos estão membros da família Moja, que lidera o tráfico na Favela do Moinho.
- A investigação revelou que ferros-velhos são usados para esconder e transportar drogas para a Cracolândia.
- Os presos enfrentam acusações de organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crime ambiental.
- O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público acredita que fechar os ferros-velhos pode interromper o ciclo do tráfico na região.
O Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das facções criminosas mais atuantes em São Paulo, utiliza ferros-velhos e carros de reciclagem para ocultar e transportar drogas da Favela do Moinho para a Cracolândia. A informação foi revelada em um relatório do Ministério Público (MP) estadual, que culminou na Operação Sharpe, realizada nesta segunda-feira (8).
Durante a operação, oito pessoas foram presas, incluindo membros da família Moja, que lidera o tráfico na região. A ação da Polícia Militar (PM) resultou na detenção de 7 dos 10 alvos com mandados de prisão, além de um homem preso em flagrante. Os detidos enfrentam acusações de organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crime ambiental.
Estrutura Criminosa
As investigações indicam que a estrutura do PCC na Favela do Moinho é mantida pela família Moja, mesmo após a prisão de Léo do Moinho no ano passado. Alessandra Moja Cunha, irmã de Léo, e sua filha, Yasmin Moja Flores, estão entre os detidos. Alessandra é apontada como responsável pela administração de ferros-velhos que servem como pontos de armazenamento de drogas.
Os entorpecentes são transportados disfarçados entre materiais recicláveis, como fios elétricos, muitos deles furtados. A operação também revelou que os ferros-velhos funcionam como “tribunais do crime”, onde a facção julga e pune seus membros.
Consequências e Ações Futuras
O Gaeco do MP acredita que a suspensão das atividades dos ferros-velhos pode ser uma estratégia eficaz para interromper o ciclo do tráfico na região. Essas empresas operam sem licenças e utilizam dependentes químicos em condições degradantes. Além disso, a lavagem de dinheiro é realizada por meio de movimentações financeiras irregulares.
A Favela do Moinho, que abriga cerca de 800 famílias, tem sido alvo de operações policiais desde 2024. O governo de São Paulo lançou a Operação Dignidade, oferecendo moradia a moradores da comunidade, com parte já realocada para imóveis da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).
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