- O Projeto de Lei nº 6093/2023, que altera as regras de demarcação de terras indígenas, foi aprovado na Comissão de Agricultura e agora segue para a Comissão da Amazônia.
- A proposta levanta preocupações sobre retrocessos nos direitos dos povos indígenas no Brasil.
- A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) aponta que mais de 20 propostas anti-indígenas estão em tramitação no Congresso.
- O projeto retoma a tese do marco temporal, o que pode inviabilizar cerca de 98% dos territórios em processo de demarcação.
- A nova composição do Grupo Técnico para identificação das terras incluirá representantes de estados, municípios e proprietários das áreas, o que pode gerar conflitos e judicialização.
O Projeto de Lei nº 6093/2023, que altera as regras de demarcação de terras indígenas, foi aprovado na Comissão de Agricultura e agora segue para a Comissão da Amazônia. Essa proposta gera preocupações sobre possíveis retrocessos nos direitos dos povos indígenas no Brasil.
De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), mais de 20 propostas anti-indígenas e antiambientais estão em tramitação no Congresso. O PL 6093/2023, de autoria da deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT), retoma a tese do marco temporal, o que pode inviabilizar cerca de 98% dos territórios em processo de demarcação. A Apib e o Instituto Socioambiental (ISA) afirmam que a proposta busca esvaziar direitos já reconhecidos, colocando em risco a vida e a cultura dos povos indígenas.
A proposta altera significativamente o processo de demarcação, transferindo a coordenação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Essa mudança, segundo as entidades, favorece a interferência de setores historicamente contrários aos direitos indígenas, transformando um procedimento técnico em um processo político.
Mudanças Estruturais
Outro ponto crítico é a nova composição do Grupo Técnico responsável pela identificação das terras, que incluirá representantes de estados, municípios e até proprietários das áreas reivindicadas. Essa configuração pode criar um ambiente de conflito e judicialização, além de permitir que interessados em barrar demarcações atuem formalmente no grupo.
O projeto ainda condiciona a homologação das terras ao Congresso, o que submete os direitos territoriais indígenas a disputas políticas. Essa mudança ignora o direito originário dos povos indígenas sobre suas terras e pode resultar em graves violações da Constituição. Além disso, o PL impõe barreiras que podem paralisar os processos de demarcação, como exigências orçamentárias e audiências públicas em todos os municípios envolvidos.
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