- No último domingo, a esquerda organizou protestos em várias cidades do Brasil contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e os pedidos de anistia para os envolvidos no golpe de 8 de janeiro.
- Os atos começaram pela manhã em Brasília e Belo Horizonte, culminando com mais de 40 mil pessoas em Copacabana, no Rio de Janeiro, e na Avenida Paulista, em São Paulo.
- A PEC da Blindagem, aprovada na última terça-feira, dificulta processos contra parlamentares e ainda precisa ser aprovada no Senado.
- A proposta gerou reações opostas, com a esquerda se manifestando contra a anistia para os envolvidos no ataque às sedes dos Três Poderes em Brasília em 8 de janeiro.
- Artistas e figuras públicas, como Gilberto Gil e Chico Buarque, participaram dos atos, que foram vistos como uma resposta às manifestações da direita no 7 de setembro.
No último domingo (21), a esquerda levou milhares às ruas para protestar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e os pedidos de anistia para os envolvidos no golpe de 8 de janeiro pela direita.
Os atos aconteceram em várias cidades do Brasil, começando pela manhã em Brasília e em capitais como Belo Horizonte, e alcançaram o ápice em Copacabana, no Rio de Janeiro, com mais de 40 mil pessoas, e na Avenida Paulista.
Principais motivações dos atos
O principal motivo das manifestações foi a reação da esquerda aos últimos acontecimentos da política brasileira: a PEC da Blindagem e o pedido de anistia para os envolvidos no golpe de 8 de janeiro.
A PEC da Blindagem foi aprovada na última terça-feira (16) e dificulta processos contra parlamentares ao transferir decisões sobre prisões em flagrante e abertura de ações criminais para votação secreta, limitar medidas cautelares de instâncias inferiores e ampliar o foro privilegiado para presidentes de partidos com assento no Congresso. Ela ainda depende de aprovação no Senado.
A proposta foi aprovada no primeiro turno, com 354 votos a favor e 134 contra. Entre os principais apoiadores estão políticos de direita, como os do Partido Liberal (PL), do qual o ex-presidente Jair Bolsonaro faz parte, que teve apenas votos favoráveis ou abstenções.
O deputado Nikolas Ferreira (PL) afirmou que a PEC da Blindagem é necessária para proteger parlamentares de ações do Supremo Tribunal Federal (STF), que, segundo ele, atua politicamente contra a Câmara. Ele criticou o tribunal e outros políticos por já terem proteção, o que permite ataques, disseminação de fake news e práticas ilegais, e que por isso, não apoiam a proposta.
Já a esquerda se posiciona contra a PEC, mesmo com alguns votantes de partidos alinhados a esse espectro político, como o PT, votando a favor. A deputada Erika Hilton (PSOL), uma das vozes mais influentes e midiáticas da esquerda atualmente, se opôs à proposta, afirmando que ela “impede que deputados corruptos, ladrões e assassinos sejam investigados e presos sem autorização dos próprios deputados”.
Outro motivo central da manifestação foi a rejeição à anistia que a direita pede para os envolvidos no ato golpista de 8 de janeiro. Prevista no Código Penal Brasileiro, a anistia é um mecanismo legal que extingue a punição de crimes cometidos por grupos de pessoas, geralmente em contextos políticos, e só pode ser concedida por projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional.
Em 8 de janeiro de 2023, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília (Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal e Palácio do Planalto), uma semana após a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. O ataque causou depredações em obras de arte, vidros, móveis, documentos e equipamentos.
Agora, a direita busca garantir esse mecanismo legal para os envolvidos. Na última quarta-feira (17), a Câmara aprovou a urgência para um projeto de anistia aos participantes do atos golpista, o que aceleraria a tramitação do projeto de forma legal.
A esquerda, por outro lado, se posiciona totalmente contra esse pedido e defende a condenação dos envolvidos no golpe, incluindo não apenas os invasores de Brasília, mas também as figuras políticas envolvidas. A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) comentou sobre o tema na manifestação em São Paulo, afirmando: “Estou aqui para dizer: não à impunidade dos golpistas, não à impunidade dos corruptos” e completou: “O que a gente viu nesta semana foi a união do bolsonarismo com a parcela mais corrupta do Congresso”.
As manifestações
A esquerda mobilizou pessoas em todo o Brasil, incluindo não apenas manifestantes, mas também figuras públicas. Entre as que mais repercutiram estão os cantores de MPB Djavan, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque, que participaram do ato em Copacabana, reunindo cerca de 41,8 mil pessoas. Durante o evento, Gilberto Gil e Chico Buarque cantaram *Cálice*, música crítica à ditadura militar de 1964, e, junto com os outros cantores, puxaram gritos de “Sem Anistia”.
Em São Paulo, o principal ato ocorreu na Avenida Paulista, e reuniu cerca de 42,4 mil pessoas. Estiveram presentes figuras políticas como Guilherme Boulos (PSOL), Erika Hilton (PSOL) e Vicentinho (PT), com Boulos afirmando: “Anistia a Bolsonaro não vai passar no Congresso.” Além deles, artistas como o rapper Emicida também participaram, onde ele declarou: “Tomemos as ruas quantas vezes for necessário para defender nossos direitos, para defender nosso povo…”.
Em Brasília, coração político do país, o ato começou por volta das 10h em frente ao Museu Nacional da República e, em seguida, os manifestantes marcharam até os arredores do Congresso Nacional, com a presença do cantor Chico César.
Os atos tiveram relevância nacional e se destacaram como resposta às manifestações da direita no 7 de setembro. Um dos principais marcos foi na Avenida Paulista: enquanto na data anterior manifestantes de direita estenderam uma bandeira dos Estados Unidos, neste domingo estenderam uma bandeira do Brasil.
Em resposta aos atos, políticos de direita publicaram depoimentos em suas redes sociais, como o deputado federal André Fernandes (PL-CE), que criticou os movimentos: “Com ou sem mobilização de artistas, o resultado será sempre o mesmo: a esquerda sempre faz manifestações flopadas”.
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