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Ex-assessora de Lira atuava no esquema de desvio de emendas, diz STF

Após o fim do mandato de Lira, Mariângela Fialek manteve controle operacional de emendas, com registros de redirecionamentos entre municípios e centralização de reservas

Mariangela Fialek, ex-chefe da assessoria especial de Arthur Lira na Câmara dos Deputados. Foto: Reprodução LinkedIn
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  • A investigação aponta que Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, operava o repasse de emendas segundo diretrizes da Presidência da Câmara, chefiada pelo deputado Arthur Lira.
  • Mesmo depois do fim do mandato de Lira, ela manteve o controle operacional e centralizava reservas de emendas para diversos deputados.
  • Documentos e depoimentos mostram anotações manuscritas registrando redirecionamentos de recursos entre municípios, como de Nova Russas para Reriutaba, a pedido de deputado.
  • A PF e a Procuradoria-Geral da República veem o papel de Lira como central na possível manipulação de emendas, com o deputado citado ao longo da decisão como figura central, ainda que não alvo direto das medidas.
  • Medidas autorizadas pelo ministro Flávio Dino incluíram buscas na Câmara, quebra de sigilo e afastamento de Mariângela de atividades com emendas; há relatos de pressões para favorecer Alagoas, e de uma remessa de 320 milhões de reais para o estado.

O que se sabe até o momento aponta que Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, executava, em nome da Presidência da Câmara, o repasse de emendas segundo diretrizes definidas pelo então presidente Arthur Lira. A investigação envolve PF e PGR e descreve uma estrutura que operava mesmo após a troca no comando da Casa.

Segundo a análise do ministro Flávio Dino, a assessora manteve controle operacional do orçamento e da destinação de recursos, sem procedimentos oficiais. Anotações manuscritas registram redirecionamentos entre municípios a pedido de deputados, sugerindo centralização de reservas de emendas para diferentes parlamentares.

A apuração aponta que Mariana continuou atuando após o fim do mandato de Lira, indicando permanência de uma estrutura criada durante sua gestão. Planilhas e mensagens indicam que o mecanismo era usado para distribuir recursos entre gabinetes alinhados à Presidência.

Movimentações e implicações

A decisão do STF cita casos de repasses para Alagoas e outras localidades, inclusive por comissões sem representantes diretos, sugerindo interferência externa. Um exemplo citado envolve a transferência de recursos originalmente destinados a Nova Russas (CE) para Reriutaba, a pedido de um deputado.

Depoimentos de congressistas indicam pressão política associada a Lira, incluindo cobrança de listas que favoreceriam estados específicos. Glauber Braga relata episódios de exigência de alinhamento com diretrizes da Presidência e de substituição de membros de comissões quando não obedeciam.

A PF identificou uma folha manuscrita com o registro de redirecionamento de emendas, reforçando a percepção de autonomia operacional de Mariângela. O ministro determinou buscas contra Tuca, além de quebras de sigilo e afastamento de atividades ligadas a emendas para esclarecer a participação dela e de outros agentes.

A reportagem não obteve retorno do gabinete do deputado Arthur Lira sobre a operação até o momento desta publicação. As autoridades continuam reunindo provas para entender a extensão da participação de Tuca e o papel da estrutura interna da Câmara nesse contexto.

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