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Jeannette Jara, a comunista em busca do centro

Jeannette Jara busca ampliar seu eleitorado moderando posições do PC, enfrenta vantagem de Kast e promete crescimento que chegue à mesa de todos os chilenos

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  • Jeannette Jara, militante do Partido Comunista desde os 14 anos, disputa a presidência do Chile no segundo turno contra José Antonio Kast em 14 de dezembro; as pesquisas apontam vantagem para Kast.
  • Foi ministra do Trabalho desde março de 2022, integrante do governo de Gabriel Boric, e ficou conhecida por promover reformas sociais e por liderar a esquerda chilena pela primeira vez com uma candidatura competitiva do PC.
  • Na primeira volta obteve 26,8% dos votos; venceu as primárias do setor com 60% sobre Carolina Tohá e chegou ao desempate contra Kast.
  • Tem buscado ampliar o eleitorado moderando posições e se apresentando como candidata da esquerda ampla, deixando claro que não está subordinada ao PC e que pode renunciar ou congelar a filiação se chegar a La Moneda.
  • Propostas centrais incluem elevar o salário mínimo, reduzir gradualmente a jornada de trabalho, reformar a previdência e promover crescimento que chegue aos trabalhadores, com foco também em segurança e controle da migração irregular.

Jeannette Jara, 51, líder do PC desde os 14 anos, emergeu como figura central da esquerda chilena ao assumir o Ministério do Trabalho em 2022. Conteve a crise de insegurança e impulsionou avanços sociais, fortalecendo sua posição no cenário político.

Ao longo de sua gestão, promoviu três medidas-chave: aumento do salário mínimo, lei de 40 horas semanais e a reforma previsional, que contou com apoio da derecha tradicional. Esses projetos tornaram-se pilares de sua agenda e da sua campanha.

Na primeira volta, Jara teve 26,8% dos votos, menos do que o esperado por aliados. O favoritismo parcial recai sobre o adversário de direita, José Antonio Kast, que lidera as sondagens para o segundo turno em 14 de dezembro. Jara busca ampliar o apoio moderado.

Campanha e desafios

oriundos de Conchalí, no norte de Santiago, Jara busca ampliar seu eleitorado moderando o tom e destacando independência do PC. Ela destaca que não está subordinada às decisões do partido e, para ampliar o teto de votos, vem moderando posicionamentos.

A estratégia inclui distanciar-se de dogmas do PC e reforçar uma candidatura de esquerda mais ampla. Em debates, adotou postura firme contra Kast, buscando atrair eleitores antagônicos ao ultraconservador. Também divulgou promessas como aumento de renda de trabalhadores para 750 mil pesos e um sistema de Consumo Elétrico Vital para reduzir contas de luz.

Apoios e alianças

A campanha recebeu apoio de figuras da esquerda, como Michelle Bachelet e Luisa Durán, além de Carolina Tohá e prefeitos de Maipú e Puente Alto. O time inclui ex-ministros da Concertação, reforçando a base de centro-esquerda.

Jara tem sido clara sobre sua relação com o governo de Boric, mantendo distância em alguns aspectos, e sinalizando que não representa a continuidade direta do mandato. A leitura de cenário aponta que Kast usa o discurso de continuidade para associar Jara ao atual governo.

Perspectivas

A disputa segue acirrada, com Jara buscando votos independentes de centro e centro-esquerda que não a acompanharam em novembro. Ao longo da campanha, recebeu sinais de apoio de setores diversos da esquerda, incluindo aliados históricos, para tentar fechar o pleito com sustentabilidade de propostas sociais.

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