- A publicitária Danielle Miranda Fonteles, ex-dona da Pepper Comunicação Interativa, é alvo da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal.
- A PF aponta que ela atuava como representante internacional de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, com medidas cautelares incluindo tornozeleira eletrônica.
- Ela seria responsável por conectar o núcleo brasileiro a estruturas no exterior, atuando em Portugal com operações ligadas ao lobista.
- Em Portugal, Danielle conduziu negócios, gerenciou recursos e recebeu repasses superiores a R$ 13 milhões, segundo a investigação.
- A defesa afirmou que há um imóvel em Trancoso, na Bahia, avaliado em cerca de R$ 13 milhões, como justificativa para os pagamentos; a PF vê indícios de ocultação da relação com Antunes.
A Polícia Federal deflagrou a nova fase da Operação Sem Desconto nesta quinta-feira. Danielle Miranda Fonteles, ex-dona da Pepper Comunicação Interativa, é alvo central. Ela é apontada como representante internacional de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A medida inclui o uso de tornozeleira eletrônica. A investigação liga Danielle ao esquema de fraudes em aposentadorias e lavagem de dinheiro.
Os investigadores afirmam que a atuação da ex-marqueteira vai além de movimentações financeiras. Ela estaria envolvida em operações empresariais, imobiliárias e transnacionais, conectando o núcleo brasileiro a estruturas no exterior. A PF destaca que o papel dela seria de alto nível dentro da operação.
Atuação Internacional e repasses no exterior
A PF confirmou que Fonteles atuou em Portugal como representante de Antunes. Em território europeu, conduzia negócios ligados ao lobista, incluindo investimentos no setor de cannabis. Movimentou recursos do operador no exterior, segundo a PF, e recebeu repasses superiores a 13 milhões de reais. Antunes chamava-a de sócia Portugal.
Entre os documentos, há mensagens que reforçam o vínculo. Em setembro de 2024, Danielle questiona se Antunes ou seu filho levariam valores a Portugal. A decisão do STF cita que Danielle recebia mensalmente recursos enviados por Antunes e intermediava aquisições internacionais.
Conexões com imóveis e alegações da defesa
A PF aponta que Danielle formulava propostas de compra de ativos no exterior e gerenciava projetos do grupo. A defesa sustenta que parte dos recursos seria destinada a um imóvel em Trancoso, Bahia, avaliado em cerca de 13 milhões de reais, com pagamento em 13 parcelas. A transação não foi concluída, segundo os advogados.
Ainda assim, a PF vê indícios de que a venda do imóvel seria usada para ocultar a relação com Antunes. O órgão ressaltou que notas fiscais e operações no exterior buscavam legalizar a movimentação financeira do esquema.
Histórico da investigada e andamento das apurações
Antes de retornar às atenções do escândalo, Danielle ficou conhecida por trabalhos de campanha do PT. Fundou a Pepper, com atuação relevante em campanhas nacionais e regionais, incluindo Dilma Rousseff e Rui Costa. A agência encerrou atividades após a operação Acrônimo, em 2015, e a ex-publicitária firmou delação premiada.
As investigações da PF correm em paralelo à CPMI do INSS. Enquanto a PF foca em fluxos de dinheiro e ligações internacionais, a CPMI enfrenta limitações políticas. A relação entre os recursos, o INSS e as operações permanece sob sigilo formal. Danielle permanece sob investigação, com presunção de inocência.
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