- O líder golpista Mamady Doumbouya é esperado vencer a eleição presidencial na Guiné neste domingo, impulsionado pela inauguração do megaprojeto de minério de ferro Simandou e pela fraca disputa entre os candidatos.
- Doumbouya depôs Alpha Condé em dois mil e vinte; a nova Constituição permitiu candidatura e prolongou o mandato; oposição está exilada e oito challengers foram desqualificados.
- O projeto Simandou, com produção prevista de até 120 milhões de toneladas por ano, é central para a estratégia de desenvolvimento da Guiné, sob o slogan de que o país não está mais à venda.
- Observadores da ECOWAS acompanham o pleito; são cerca de 6,7 milhões de eleitores; resultados provisórios devem sair em até 48 horas após o fechamento das urnas.
- Analistas destacam que o contexto político segue sob controle militar, com debate público restrito, ainda que haja sinais de aproximação regional.
Em Guiné, o líder do golpe Mamady Doumbouya é esperado vencer a eleição presidencial neste domingo, impulsionado pela inauguração do megaprojeto de minério de ferro Simandou e pela fraca concorrência de um campo de oponentes fragmentado. A votação ocorre em um cenário de transição após o golpe de 2020.
Doumbouya, que chefiava as tropas especiais quando depôs Alpha Condé, mantém o poder desde então. A nova constituição retirou restrições de candidatura e estendeu o mandato, favorecendo o atual ocupante do cargo. Oposição no exílio e oito challengers desqualificados completam o quadro.
O pleito acontece na capital Conacri e em outras regiões, com cerca de 6,7 milhões de eleitores cadastrados. Observadores da ECOWAS acompanham o pleito, que terá resultados provisórios em até 48 horas após o encerramento das urnas.
Projeto Simandou em foco
Guiné sedia as maiores reservas de bauxita do mundo e a maior jazida de minério de ferro ainda inexplorada, o Simandou, cujo lançamento ocorreu recentemente. A produção anual deve chegar a até 120 milhões de toneladas, com a maioria sob controle chinês (75%).
O governo afirma que o país deixará de ser “vendido” e que participará dos frutos dos recursos. Doumbouya já ordenou a revisão de ativos, incluindo a transferência de ativos de uma empresa estrangeira para estatal, em meio a uma postura de nacionalismo de recursos.
Contexto político e participação
Analistas indicam que o ambiente eleitoral não é plenamente competitivo, dado o controle político mantido pelo regime. A participação civil tem sido condicionada por restrições a protestos e à atuação de opositores, com espaço público limitado para debates.
Nos últimos meses, houve relatos sobre redução de liberdades de imprensa e censura a manifestações, enquanto a oposição permanece fragmentada. Ainda assim, o pleito é visto como teste para a continuidade do governo nas mãos da liderança militar.
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