- O sindicato RMT alega que seis grandes fornecedores de facilities management no setor ferroviário tiveram lucros de cerca de £ 152 milhões no último ano, com margens de lucro em contratos na casa de 11%.
- O grupo inclui Mitie, OCS, Bidvest Noonan, Churchill, Carlisle e ABM, empresas que terceirizam serviços de limpeza, segurança e alimentação.
- A pesquisa do RMT sustenta que cláusulas repassam custos adicionais — como aumentos salariais e contribuições previdenciárias — aos cofres públicos, protegendo os lucros das terceiras empresas.
- O ministro dos ferrovias, Peter Hendy, indicou apoiar que a rede ferroviária avalie se é melhor manter outsourcing ou realizar insourcing para melhorar serviço aos passageiros e a economia.
- A RMT classifica a terceirização como um “ racket” e defende uma grande onda de internalização de serviços públicos, argumentando que bilhões são desviados para acionistas e não para funcionários ou passageiros.
O governo do Reino Unido é pressionado pela indústria ferroviária a reavaliar contratos de outsourcing. A intervenção ocorre após estudo da RMT apontar lucros significativos em seis grandes fornecedores de facilities management ligados ao setor: Mitie, OCS, Bidvest Noonan, Churchill, Carlisle e ABM. A análise considera lucros médios de 11% sobre contratos, totalizando aproximadamente 152 milhões de libras no último ano, entre a rede ferroviária nacional e o London Underground.
Segundo a RMT, muitos contratos repassam custos adicionais, como aumentos do salário mínimo e contribuições à previdência, de volta ao governo. Alega-se que os lucros das empresas de terceirização ficam protegidos em detrimento do contribuinte e dos trabalhadores. Carlisle Support Services (propriedade ligada ao ex-nobre Michael Ashcroft) figura entre as citadas, enquanto Mitie teria pago altos salários a seus executivos.
O debate ocorre no contexto de insourcing prometido pelo Labour antes das eleições de 2024, com foco na nationalização de operações de passageiros sob o Great British Railways (GBR). Governo afirma que está aberto a escolhas sobre o que é melhor para os clientes, inclusive a possibilidade de ampliar a insourcing na rede ferroviária.
Peter Hendy, ministro do setor, reconheceu a existência de muitos contratos com termos distintos que geram confusão sobre como atender melhor aos passageiros. Ele sinalizou apoio a uma avaliação do GBR sobre a melhor forma de organizar o serviço, incluindo possibilidades de terceirização ou não, conforme o que for mais eficaz para os usuários e para a economia.
A RMT descreveu a situação como uma oportunidade histórica para reduzir a terceirização. Eddie Dempsey, secretário-geral, sustentou que o outsourcing na ferrovia extrai recursos que deveriam beneficiar trabalhadores e passageiros, e que o GBR deve avançar com uma grande onda de insourcing.
Mitie disse que fornece serviços essenciais e busca inovação para manter operações seguras e eficientes, reforçando o valor para os contribuintes. ABM contestou os números apresentados pela RMT, mas afirmou compromisso com uma relação colaborativa com o sindicato. As demais empresas citadas foram contatadas para comentar, sem resposta no momento.
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