- O governo americano deu até 13 de janeiro para a Sociedade Smithsonian entregar materiais sobre a revisão de programas e decisões em oito museus entre os 21 sob sua gestão.
- O White House informou que o financiamento federal só pode ser usado conforme a Ordem Executiva 14253, com a implementação da revisão sob risco de continuidade dos recursos; o orçamento do Smithsonian depende de apropriações do Congresso e o desembolso é controlado pelo Escritório de Orçamento (OMB).
- A renovada pressão está ligada à revisão anunciada em agosto de 2025, que avaliaria atividades e conteúdos de oito museus para alinhar com a orientação da gestão.
- O conselho de governança do Smithsonian deve sofrer mudanças significativas neste ano, com até seis cadeiras vagando; novas nomeações precisam da aprovação do Congresso e do presidente.
- Reações destacam que a coleta de informações detalhadas exige tempo e coordenação entre departamentos; o Secretário Lonnie G. Bunch informou à equipe sobre a complexidade do pedido, e não houve resposta oficial da instituição até o momento.
A administração do presidente dos EUA, Donald Trump, deu à Smithsonian Institution um prazo até 13 de janeiro para entregar informações relativas à revisão de programação e de decisões em oito dos seus 21 museus. O pedido foi enviado por carta ao secretário Lonnie G. Bunch, no mês passado, e sinaliza que o financiamento poderá depender do cumprimento.
O documento foi assinado por Vince Haley, diretor do conselho de políticas internas, e Russell Vought, da OMB. Os autores citam a Ordem Executiva 14253, publicada em 27 de março de 2025, que exige que recursos sejam usados de acordo com a diretriz de celebrar o excepcionalismo americano e excluir narrativas divisivas.
A Smithsonian recebe cerca de 62% de seu orçamento federal, definido por meio de appropriações do Congresso. A liberação dos recursos, entretanto, é controlada pela OMB, não pelo presidente. A carta sugere que a revisão presidencial continua a influenciar decisões institucionais.
A origem do processo remonta a agosto de 2025, quando o White House anunciou a verificação de atividades em oito museus: História Americana, História Natural, História e Cultura Afro-Americana, Museu Nacional do Índio Americano, Museu do Ar e Espaço, Museu de Arte Americana, Galeria Nacional de Retratos e Hirshhorn. A instituição teve até 120 dias para responder.
Bunch informou internamente que a análise envolve áreas diversas e demanda tempo significativo, coordenação entre departamentos e disponibilidade de materiais. O porta-voz da Smithsonian não comentou o tema quando procurado.
Setor museológico reagiu de forma contida. A American Alliance of Museums e a Association of Art Museum Directors ressaltaram que documentalmente coletar informações detalhadas exige prazo adequado, principalmente em instituições com milhares de obras e instalações dispersas.
Historicamente, a tensão entre a White House e a Smithsonian cresceu desde o anúncio da revisão em agosto do ano anterior. Naquele mês, Trump criticou a instituição publicamente, citando supostas inclinações ideológicas, e houve encontro entre Bunch e o governo em Washington, considerado produtivo pela imprensa.
Entre os desdobramentos recentes, destacam-se mudanças no conselho que podem ocorrer neste ano, com até seis cadeiras vagando, o que acrescenta complexidade ao processo de aprovação de novas indicações pelo Congresso e pelo presidente.
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