- Áudio de 22 de outubro de 2025 mostra o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, dizendo torcer para que servidoras grávidas não engravidem ao mesmo tempo, para evitar o pagamento de insalubridade e do prêmio saúde.
- Servidores presentes reivindicavam a continuidade dos benefícios; Brunini afirmou que abriria um local para transferir servidoras grávidas para evitar custos adicionais.
- O prefeito afirmou que criaria uma lei específica para manter o pagamento durante a gestação, alegando que a gravidez reduz produtividade; a prefeitura informou que a fala foi retirada de contexto.
- A administração já tinha mudado o pagamento do insalubridade, inicialmente cortado e depois restabelecido apenas para grávidas, e o prêmio saúde foi cortado durante licenças; após pressão, houve reversão parcial.
- Segundo a prefeitura, hoje há 54 mulheres em licença-maternidade na Secretaria Municipal de Saúde; servidoras relatam prejuízos financeiros, enquanto a gestão afirma valorizar as mulheres e proteger direitos.
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou em uma reunião de outubro de 2025 que torce para que as servidoras não engravidem ao mesmo tempo, em um debate sobre adicional de insalubridade e prêmio saúde. A gravação originou as primeiras informações.
O áudio, obtido com exclusividade pelo UOL, registra a fala durante encontro com servidores que reivindicavam os benefícios. A prefeitura informou que houve retirada de contexto da fala, que não reflete a gestão nem os valores ao respeito às servidoras.
O que aconteceu e quando
A gravação ocorreu em 22 de outubro de 2025. Na conversa, o prefeito sugeriu transferir todas as servidoras grávidas para locais menos insalubres para facilitar a reprovação de pagamentos. A declaração gerou críticas imediatas entre presentes.
Um servidor questionou por que não tratar a situação de outra forma, citando a percepção de que a gravidez seria tratada como problema. A resposta do prefeito ironizou a manutenção de benefícios durante a gravidez, insinuando que melhora da saúde da cidade prejudicaria a produtividade.
Promessas e mudanças na legislação
Ainda na mesma reunião, Abilio afirmou que elaboraria um projeto de lei para manter os benefícios durante a licença maternidade, justificando a necessidade de uma norma específica, pois a gravidez influenciaria a produtividade das servidoras.
A prefeitura informou que, no dia 23 de outubro, foi sancionado um projeto de lei para retirar o insalubridade de servidores em licença. Dois dias depois, outra lei autorizou o pagamento apenas às gestantes.
Impacto entre servidoras da saúde
Segundo a administração, 54 mulheres da Secretaria Municipal de Saúde estavam em licença maternidade. Uma profissional relatou cortar o prêmio saúde, o que afetou pagamentos e planos de saúde, gerando impactos financeiros.
Relatos de servidoras incluem dificuldade de arcar com despesas básicas e necessidade de atendimento privado para saúde, após cortes. Mulheres destacaram sentir desrespeito e preocupação com direitos durante a licença.
Ponto de vista da Prefeitura
A nota oficial da prefeitura afirma que o projeto de lei em tramitação assegura a manutenção integral da remuneração durante a licença. O texto cita manter os valores de insalubridade, prêmio saúde e verbas indenizatórias, com efeito retroativo.
A prefeitura diz que a fala do prefeito foi retirada de contexto e reforça o compromisso com a valorização das mulheres e com políticas de proteção. A gestão menciona ainda equilíbrio entre cargos e participação feminina na administração.
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