- Bolsonaro está preso há mais de cinquenta dias, mas o bolsonarismo permanece atuante e afeta povos indígenas e a Amazônia.
- No governo Lula há tensões entre conter invasões e apoiar o agronegócio, com ações de desintrusão viáveis no papel, porém marcadas por conflitos no cotidiano das aldeias.
- Casos emblemáticos incluem a Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia, e a Terra Indígena Apyterewa, no Pará, onde desintrusão gerou violência e tensões prolongadas.
- Dados do Conselho Indigenista Missionário indicam 1.133 invasões, 795 assassinatos de indígenas e 3.552 crianças indígenas mortas entre 2019 e 2022; Hutukara aponta 21 ofícios recebidos em 2022 para alertar sobre risco de genocídio.
- A situação envolve garimpo e violência na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, com 1.814 alertas em 2025; o governo precisa de uma política permanente de pós-desintrusão, enquanto o Ministério dos Povos Indígenas, com a ministra Sonia Guajajara, busca institucionalizar a proteção das terras.
O bolsonarismo permanece ativo na sociedade brasileira e atua de forma contundente sobre terras indígenas e a floresta amazônica, mesmo com a prisão de Jair Bolsonaro por decisão do STF. A herança de invasões, garimpo, grilagem e violência persiste como desafio ao governo Lula.
O governo federal tenta recompor a política indigenista, mas as contradições aparecem. O Palácio do Planalto mantém vínculos com o agronegócio e grandes obras que impactam comunidades originárias, gerando tensões entre a agenda ambiental e a pauta de desenvolvimento.
Cenário em Rondônia
Na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, invasores tentam reabrir disputas territoriais usando mecanismos burocráticos, influenciados pela desestruturação observada na gestão pública dos anos de Bolsonaro. A disputa continua, agora com respaldo documental.
Documentos herdados do ciclo de desmonte viram armas políticas para ruralistas e parlamentares de direita, que tentam manter invasores em áreas protegidas. Reportagem recente descreveu como atos da Funai no período Bolsonaro aparecem na prática de ocupação.
Desinstrução e conflitos no Pará
Na Terra Indígena Apyterewa, no Pará, a desintrusão retirou invasores e dezenas de milhares de cabeças de gado ilegalmente; porém, o pós-desintrusão se tornou cenário de violência. Um vaqueiro contratado morreu após ser alvo de ataque, há cerca de um mês.
Lideranças indígenas cobram presença permanente do Estado, afirmando que o pós-desintrusão aumenta riscos. A retirada sozinha não garante a proteção nem impede a retomada de ocupações futuras.
Sararé e o garimpo no Mato Grosso
A Terra Indígena Sararé, dos Nambikwara, no Mato Grosso, tornou-se foco do garimpo ilegal. Em 2025, foram registrados 1.814 alertas de garimpo, com operações que destruíram acampamentos e maquinários, mas não impediram novas ações.
Segundo a coordenação de desintrusão, quando o garimpo é pressionado ele migra para outra área. A lógica do crime envolve uma rede de apoio, incluindo pista clandestina, combustível, ferramentas e pistoleiros.
Panorama histórico e institucional
Entre 2019 e 2022, o país registrou grandes avanços em invasões, danos a terras e violência contra povos indígenas. Dados do Cimi indicam mais de 1.1 mil casos de invasões, 795 assassinatos de indígenas e 3.5 mil mortes de crianças indígenas no período.
Em Yanomami e Ye’kwana, o relatório aponta 621 mortes de crianças entre 0 e 4 anos, com alertas de que o governo de então foi avisado repetidamente sobre riscos de violência, sem ações suficientes.
O governo atual e o papel das lideranças
O governo Lula criou o Ministério dos Povos Indígenas, elevando a representatividade dos povos originários. A ministra Sonia Guajajara integra a Esplanada com a missão de impedir a normalização de abusos promovidos por gestões anteriores.
Apesar disso, críticos apontam que megaprojetos e a agenda de desenvolvimento continuam a atravessar áreas sensíveis, gerando tensões entre preservação ambiental e direitos territoriais. A forma de atuação após desintrusões continua central para a proteção efetiva.
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