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Moraes determina retomar ação contra homem que o ameaçou de morte em 2022

Moraes determina retomada da ação após perícia indicar que réu sabia das consequências, considerado semi-imputável, com julgamento no STF próximo passo

O ministro Alexandre de Moraes, do STF. Foto: Gustavo Moreno/STF
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  • O ministro Alexandre de Moraes determinou a retomada de uma ação penal contra Antônio José Saraiva, conhecido como Sarneyzinho do Maranhão, por ameaças contra Moraes em 2022.
  • A decisão, assinada em 19 de janeiro, abre prazo de quinze dias para a Defensoria Pública apresentar alegações finais, antes do julgamento na Primeira Turma do STF.
  • Sarneyzinho responde pelos crimes de incitação ao crime, incitação por animosidade das Forças Armadas contra os Poderes Constitucionais e homofobia, preconceito e discriminação contra nordestinos e mineiros.
  • A tramitação foi suspensa anteriormente para uma perícia terapêutica, que apontou transtorno de personalidade paranoide e indicou redução da autodeterminação, mas não ausência de entendimento dos atos.
  • A equipe de peritos concluiu que, apesar da compreensão do conteúdo e da gravidade do ato, a condição paranoide pode ter reduzido a capacidade de controlar impulsos, levando Moraes a considerar o réu semi-imputável.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a retomada da ação penal contra Antônio José Saraiva, conhecido como Sarneyzinho do Maranhão. A medida veio após uma perícia indicar que o réu tinha pleno conhecimento das consequências de seus atos, ainda que apresentasse redução da autodeterminação na época. A decisão foi assinada na segunda-feira, 19, e abre prazo de 15 dias para a defesa apresentar alegações finais. Em seguida, o caso vai a julgamento na Primeira Turma do STF.

Sarneyzinho responde pelos crimes de incitação ao crime, incitação motivada pela animosidade contra as Forças Armadas, além de homofobia e discriminação contra nordestinos e mineiros. Ele se tornou réu no tribunal em fevereiro de 2024. Um mês após a denúncia, os advogados pediram suspensão da ação, sob argumento de dúvidas sobre a saúde mental do réu. Moraes, então, interrompeu o andamento para a perícia.

A perícia aponta que o acusado apresentava transtorno de personalidade paranoide, configurando perturbação da saúde mental. O documento também descreve que, no momento dos crimes, Saraiva estava em meio a forte excitação emocional, sentindo-se perseguido e indignado com uma cena veiculada pela televisão. No vídeo de dezembro de 2022, ele declara ter ordenado a execução do ministro, entre outras ameaças.

Segundo o laudo, o réu não estava completamente incapaz de entender o caráter ofensivo do ato, reconhecendo a gravidade do vídeo posteriormente e demonstrando capacidade de arrependimento. Ainda assim, a avaliação aponta que a dimensão volitiva pode estar reduzida em casos de transtorno paranoide, especialmente quando há conexão entre o padrão de funcionamento e o comportamento delituoso. A benzodiazepínicos também é citada como fator que pode ter influenciado a impulsividade.

Com base na análise técnica, Moraes decidiu pela retomada do processo, posição que também foi aceita pela Procuradoria-Geral da República. A nova fase determina que a Defesa Pública tenha 15 dias para apresentar alegações finais, após o que o caso segue para julgamento na Primeira Turma do STF.

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