- Em 2025 houve mais de 10.700 protestos nos EUA, salto de 133% em relação a 2017 (4.588).
- A maioria dos condados estaduais teve ao menos uma demonstração desde a reabertura do governo, e 42% dos condados que votaram em Trump tiveram protestos.
- As mobilizações ficaram espalhadas pelo país, com ações de um dia bem organizadas, como as campanhas No Kings e Hands Off.
- Os temas vão desde cuidados de saúde de jovens trans até oposição à atuação das autoridades de imigração (ICE) e apoio a Israel em Gaza; houve picos na primavera e em outubro de 2025, além de continuidade em 2026.
- A pesquisadora Erica Chenoweth enfatiza que as manifestações são amplas, locais e que criam sensação de agência e esperança entre os participantes.
O ano após a retomada de posse de Donald Trump ficou marcado por um aumento expressivo de protestos nos EUA. Dados do Crowd Counting Consortium mostram que, em 2025, foram registradas mais de 10.700 mobilizações, ante 4.588 em 2017, época inicial do mandato anterior.
A pesquisa reúne dados de Harvard Kennedy School e da University of Connecticut. Segundo os pesquisadores, a maioria dos condados do país já viveu ao menos um protesto desde a reeleição de Trump, inclusive em áreas que apoiaram o republicano em 2020.
A análise destaca que o movimento agora aparece de forma difusa pelo território, não apenas em grandes cidades. Eventos complexos e variados, como críticas a políticas de imigração, ações contra o ICE, e iniciativas de oposição ao governo, ajudaram a ampliar o volume e a adesão.
Entre os temas que ganharam expressão em 2025, estão a saúde de jovens trans, oposição ao apoio dos EUA a Israel na Faixa de Gaza e ações contra a gestão federal, com concentrações amplas em diferentes estados. Notícias de protestos coordenados também ganharam destaque.
No conjunto, houve mobilizações de grande escala, incluindo ações de um dia em várias cidades. Pesquisadores destacam que o fenômeno não está limitado a centros urbanos; houve participação significativa em áreas rurais e menores.
Movimento no radar
Ao longo de 2025 e início de 2026, o foco passou a incluir o tema Abolir ICE e críticas às operações federais, com protestos que se intensificaram após incidentes envolvendo agentes de imigração. A resposta local variou entre ações de rua, cortes de trânsito e ocupações simbólicas.
Especialistas ressaltam que a intensidade dos protestos não depende apenas de picos isolados, mas de uma mobilização contínua. O estudo aponta que o padrão de ações é cada vez mais descentralizado, com atividades planejadas coletivamente.
Erica Chenoweth, cientista política associada ao estudo, observa que o fenômeno atual equilibra organização local com ações espontâneas. O registro de 3,5% da população não é visto como regra determinante, mas como referência para o potencial de engajamento não violento.
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