- Gleisi Hoffmann afirmou que Ricardo Lewandowski avisou Lula sobre contratos privados antes de assumir o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, e negou irregularidade.
- O escritório de advocacia da família de Lewandowski foi contratado pelo Banco Master, com valor de R$ 250 mil mensais, de início de 2023 até agosto de 2025.
- A mulher e o filho de Lewandowski teriam continuado assessorando o Master até agosto do ano passado; o banco também contratou escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes, por R$ 3,6 milhões mensais.
- Investigações apontam que o Banco Master vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras inexistentes ao BRB, em operação que visava salvar o banco, segundo MPF e PF.
- O rombo do BRB é estimado em R$ 4 bilhões e o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro.
A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) afirmou que o ex-ministro Ricardo Lewandowski avisou Lula sobre a possibilidade de atuar como consultor em instituições privadas antes de assumir o Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Ela disse que o presidente já tinha ciência de contratos privados, mas que tudo seria realizado dentro da lei e com descolamento de tais atividades.
Segundo Gleisi, Lula tinha conhecimento de contratos privados pelos quais Lewandowski respondia, e que o ministro se comprometeu a se afastar de atividades econômicas ao passar a ocupar o cargo. A fala foi feita durante um café com a imprensa.
A partir de perguntas sobre eventual irregularidade, a ministra afirmou não ver crime na prática de consultorias privadas e ressaltou que isso não impactou a fiscalização nem a apuração dos fatos em andamento. Também mencionou que o caso envolvendo o Banco Master ocorreu na gestão de Lewandowski.
Relação entre Lewandowski e o Master
O escritório de advocacia ligado à família de Lewandowski prestou serviços ao Banco Master entre o início de 2023 e agosto de 2025, período em que Lewandowski era titular do Ministério da Justiça. O contrato tinha valor mensal de 250 mil reais.
Acompanharam a relação profissional a mulher e o filho do ministro, que prestaram assessoria ao Master até agosto do ano passado. O banco também contratou escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes, do STF, por 3,6 milhões de reais mensais para defesa de interesses.
Gleisi rebateu a leitura de que haveria ligação direta entre o governo Lula e o Master, lembrando que a existência de contratos não configura ilegalidade. Ela citou ainda que governos anteriores deveriam explicar vínculos com o tema envolvendo fundos de pensão e o Master.
Investigações e desdobramentos
As investigações apontam que o Master vendeu 12,2 bilhões de reais em carteiras inexistentes a um banco público, o BRB, conforme informações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. A operação visava cobrir problemas de liquidez do banco privado, com depoimentos de ex-executivos sendo solicitados.
O rombo estimado no BRB é de cerca de 4 bilhões de reais. A crise levou à liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro. O desfecho ocorreu no contexto de forte tensão no sistema financeiro.
Encontros e posicionamentos de luiz
Gleisi comentou que Lula recebe muitas pessoas do setor financeiro e que encontros fora da agenda oficial podem ocorrer. Ela descreveu a presença de Vorcaro em reuniões associadas ao tema, destacando que houve orientação para que o governo atuasse com rigor técnico e legalidade na apuração dos fatos.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou de reunião relacionada ao tema, conforme registro público. A defesa de Lula sustenta que a gestão do caso foi conduzida com transparência e dentro de procedimentos legais.
Contexto político e próximos passos
A ministra destacou que a oposição busca associar o governo ao Master, porém argumentou que é preciso demonstrar irregularidades específicas. Ela mencionou que há dúvidas sobre ligações de outros governos com o tema, sem apontar culpabilidade direta.
Lula tem mantido postura reservada sobre o tema, tratando o assunto de forma particular. A agenda pública não detalha todos os encontros envolvendo Vorcaro e outros operadores do setor financeiro, segundo apuração de veículos de imprensa.
Entre na conversa da comunidade