- O escândalo envolvendo o Banco Master inflou estoques de carbono em cerca de R$ 45 bilhões por meio de créditos não certificados, com bases em terras da União na Amazônia.
- A fraude ampliou o patrimônio de fundos ligados ao Master a partir de 2022, usando ativos de difícil verificação para valer bilhões de reais.
- O governo sancionou, em dezembro de 2024, a lei que estabelece as bases do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e criou, no fim de 2025, uma secretaria extraordinária para regulamentar o setor, com implementação prevista até 2030.
- O caso revelou falhas de coordenação entre atores privados e o Estado, gerando dúvidas sobre o lastro e a fiscalização do mercado de carbono.
- Na Comissão de Valores Mobiliários, houve inquérito administrativo e troca de comando; o presidente interino afirmou que todas as frentes serão investigadas e responsáveis punidos.
A investigação da Polícia Federal sobre uma pirâmide financeira ligada ao Banco Master expõe falhas no mercado de carbono brasileiro. O esquema inflou, a partir de 2022, estoques de créditos de carbono usados para financiar fundos ligados ao Master, com valores estimados em bilhões de reais. A controvérsia envolve a forma de reconhecimento e lastro de ativos ambientais.
A crise atinge diretamente a política climática do governo Lula. O objetivo oficial era criar o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) com regras claras, fiscalização e precificação de emissões de gases de efeito estufa. A expectativa era transformar o carbono em ativo econômico confiável para o país.
Na prática, o arcabouço regulatório ainda estava em construção quando o escândalo emergiu. Em 2025, o Ministério da Fazenda criou uma secretaria extraordinária para organizar as regras. Entretanto, créditos ambientais baseados em certificações frágeis já circulavam, inflando fundos desde 2022.
Escândalo e natureza dos ativos
O que se investiga envolve créditos de carbono associados a estoques estimados, não certificados internacionalmente. Parte dos ativos foi vinculada a terras públicas da União na Amazônia, com uso indevido de áreas destinadas à reforma agrária. Documentos apontam repasses para estruturas como a Fazenda Floresta Amazônica, em Apuí, Amazonas.
Quem participa do caso inclui a Alliance Participações e Investimentos Ltda., de Henrique Moura Vorcaro e Natália Bueno Vorcaro Zettel, além de intermediários ligados a fundos administrados pela Reag Investimentos. A operação envolve ainda a negociação de opções de compra de terras com potenciais proprietários locais.
As cifras envolvem uma estimativa de 168,8 milhões de unidades de estoque de carbono, convertidas em ativos de fundos. Relatórios indicam que o valor total superou R$ 45,5 bilhões, ainda sem certificação reconhecida para o lastro. Empresas como Global Carbon e Golden Green aparecem entre as que ajustaram balanços.
Impactos e fiscalização
O caso gerou desconfiança sobre a integridade do mercado de carbono brasileiro. A CVM abriu um inquérito administrativo durante mudanças no comando da autarquia, com o novo presidente interino prometendo mapear o que já foi feito e o que está em andamento. A apuração mira gestores, consultorias e demais agentes.
Autoridades ressaltam que o problema não se restringe a condutas privadas, mas a falhas de coordenação estatal. Analistas citados destacam que, quando o ativo circulava apenas sob o viés ambiental, faltava escrutínio. Ao virar instrumento financeiro, faltou lastro verificável com rapidez.
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