- O secretário de Saúde, Wes Streeting, pretende oferecer aos médicos residentes uma elevação salarial maior do que a dos demais profissionais do NHS.
- O pacote também incluiria a garantia de que os hospitais na Inglaterra receberão multas caso não melhorem as condições de trabalho, como áreas de descanso e acesso a comida quente.
- Streeting avalia ampliar a oferta de 2,5% para 2026/27, com a possibilidade de dobrar esse valor para encerrar o impasse.
- Fontes próximas às negociações indicam otimismo de autoridades do NHS de que as medidas podem romper o bloqueio antes do terceiro aniversário da primeira greve atual.
- A BMA informou que os médicos residentes votaram para manter a greve por mais seis meses, buscando ganhos maiores e mais vagas de treinamento.
Wes Streeting pretende aumentar a oferta salarial para médicos residentes como parte de um pacote de medidas para encerrar a disputa com a Organização Nacional de Saúde (NHS) na Inglaterra. O objetivo é conceder condições de trabalho melhores, com foco em áreas de descanso e alimentação quente, além de aplicar sanções financeiras a hospitais que não assegurem tais direitos.
De acordo com informações de interlocutores, o secretário de Saúde planeja revisar propostas anteriores, buscando superá-las de modo a persuadir a British Medical Association (BMA) a encerrar a campanha de greve que dura quase três anos. O esforço é visto como chave para romper o impasse antes do aniversário da primeira greve do atual ciclo, em 13 de março de 2023.
Streeting avalia oferecer aos médicos residentes um reajuste acima do teto de 2,5% já apresentado para 2026/27 pela NHS, reajuste que, segundo o governo, seria o máximo possível. Pessoas próximas às negociações indicam que o ministro pode considerar pelo menos dobrar esse valor, em benefício exclusivo dos médicos residentes.
A medida também prevê responsabilidade financeira para os hospitais que não melhorem as condições de trabalho dos residentes, incluindo acesso a áreas de descanso e alimentação quente durante turnos, inclusive noturnos. A proposta está sendo discutida no contexto de uma cobrança histórica da categoria por salários, treinamento e gestão de horários.
Além disso, Streeting analisa criar um mecanismo de penalidades para as trusts que não avancem adequately na melhoria das condições de trabalho, de modo a incentivar melhorias sistêmicas na vida profissional dos médicos residentes. Outra demanda envolve pagamento por trabalho extra fora do horário contratado ou compensação em folgas.
O cenário é acompanhado de perto pela liderança da NHS. O CEO da NHS England, Jim Mackey, já apresentou um plano de 10 pontos para melhorar as condições de trabalho, mas críticas apontam lentidão na implementação por parte de alguns trusts. Enquanto isso, a direção da BMA indica que o objetivo de longo prazo é obter ganhos salariais e horários mais estáveis, sem recorrer a novas greves.
Na definição de estratégia, a BMA tem recebido sinais de progresso em conversas com Streeting. O vice-presidente do comitê de médicos residentes, Arjan Singh, afirmou em programa de rádio que é improvável a convocação de novas greves em breve, reconhecendo avanços na negociação, embora permaneçam prazos legais para ações futuras, se necessário. Um levantamento recente do YouGov aponta apoio público dividido a respeito das greves, com maioria contrária à continuidade de medidas, mas parcela significativa ainda apoiando.
A gestão pública ressalta que qualquer acordo precisa respeitar limites orçamentários do governo para o NHS. A tensão entre oferecer ganhos significativos aos residentes e manter equilíbrio financeiro do sistema de saúde permanece como elemento central das negociações.
Entretanto, a expectativa é de que, com avanços nas negociações, o impasse possa ser encerrado antes de ampliar ainda mais o ciclo de ações. Fontes ligadas ao governo destacam a importância de chegar a um entendimento estável para evitar custos adicionais ao serviço de saúde e garantir condições adequadas aos médicos em formação.
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