- O think tank Labour Together, que já teve Morgan McSweeney e, depois, Josh Simons à frente, contratou a APCO Worldwide para investigar jornalistas que cobriam o financiamento do grupo.
- Segundo o Democracy for Sale, a APCO teria sido contratada para identificar fontes de reportagens do Sunday Times, Guardian e de outros veículos, ligadas ao tema de doações.
- A APCO teria recebido, pelo menos, £ 30 mil para mapear fontes e apontar “pessoas de interesse” entre repórteres.
- McSweeney não teria tomado a decisão de contratar a APCO; o tema ficou a cargo do Labour Together, com Simons como diretor na época em que a empresa foi contratada, em 2023.
- O episódio ocorre em um contexto de controvérsias sobre doações não declaradas e investigações envolvendo Labour Together e o governo, com críticas de parlamentares.
O think tank Labour Together, ligado ao trabalhismo britânico, é alvo de denúncias de que contratou a empresa de Relações Públicas APCO Worldwide para investigar jornalistas que cobriam o financiamento da organização. A acusação veio à tona em material publicado pela plataforma Democracy for Sale.
Segundo a publicação, a contratação ocorreu em 2023, quando Labour Together era chefiado por Josh Simons. Morgan McSweeney, ex-líder do think tank e atual chefe de gabinete do premiê, teria deixado a liderança do grupo em 2020, mantendo vínculos próximos com a organização.
A APCO, segundo as informações, teria identificado jornalistas do Guardian, do Sunday Times e de outros veículos, buscando fontes para apurar a origem das informações sobre doações recebidas pelo think tank. As ações teriam incluído a identificação de fontes internas e potenciais estratégias de divulgação.
Kim Johnson, deputada do Labour, comentou publicamente sobre as acusações, tachando a operação de possivelmente comprometida, e sugeriu mudanças profundas na liderança de No 10. A resposta oficial de Simons, Labour Together, do Partido Trabalhista e da APCO não foi divulgada de forma pública.
As alegações exploram a cobertura de uma investigação do Sunday Times sobre doações relatadas pelo Labour Together entre 2017 e 2020, que incluiriam mais de £700 mil destinados a pesquisas e atividades de campanha para favorecer a ascensão de Keir Starmer à liderança do partido.
Em setembro de 2021, Labour Together foi multado em £14.250 por atrasos na divulgação de doações de £740 mil, após autodenunciar à Electoral Commission. A notícia sugere que a gestão dessas informações pode ter alimentado a necessidade de contramedidas.
Democracy for Sale afirma ter visto relatórios internos da APCO que citam jornalistas como pessoas de interesse, além de discutir possíveis formas de pressão sobre outras reportagens. O material também aponta a hipótese de vazamento interno ou hack envolvendo a Comissão Eleitoral.
Ainda conforme o material, um dos documentos descreve possíveis fontes da matéria do Sunday Times: um vazamento interno na Electoral Commission ou na Labour Together, ou dados obtidos de um suposto hack de 2023. O conjunto de documentos também traz suposta correspondência para desacreditar veículos de investigação.
A reportagem destaca que os materiais de APCO aberto a Labour Together teriam apresentado um resumo executivo que envolve organizações investigativas londrinas, buscando descredibilizar um grupo de jornalistas que cobrira as finanças do think tank.
Alegações sobre contratação da APCO
Com o decorrer das informações, a imprensa revisita o papel de McSweeney na direção de políticas e a manutenção de vínculos com Labour Together. A apuração aponta para possíveis impactos na legítima atuação jornalística e na transparência financeira do think tank.
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