- O Brasil teve 35 pontos no índice de percepção da corrupção de 2025, ficando em 107º lugar entre 182 países e territórios; houve alta de 1 ponto em relação a 2024, mas considerada estatisticamente insignificante.
- O IPC não mede casos concretos e usa dados de até treze fontes independentes; no Brasil foram usados oito indicadores.
- Com 35 pontos, o Brasil ficou abaixo da média mundial e da média das Américas, ambas em 42 pontos.
- Os países mais bem posicionados foram Dinamarca (89), Finlândia (88) e Cingapura (84); os piores, Somália (9), Sudão do Sul (9) e Venezuela (10).
- A Retrospectiva 2025 da Transparência Internacional – Brasil aponta aumento da infiltração do crime organizado, avanços com inteligência financeira e casos de corrupção em escala inédita, além de críticas à resposta do governo ao INSS e ao uso de emendas parlamentares no orçamento.
O Brasil manteve em 2025 a segunda pior nota já registrada no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), segundo a Transparência Internacional. O país ficou com 35 pontos em uma escala de 0 a 100 e ocupou a 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados.
O IPC não mede casos concretos, mas a percepção de especialistas, pesquisadores, executivos e instituições que acompanham governança pública. Em 2015 é publicado pela organização global e, desde 2012, utiliza metodologia comparável ano a ano. No caso do Brasil, foram usados oito indicadores.
A avaliação indica que o Brasil permanece abaixo da média global e da região das Américas, ambas com 42 pontos. Entre os melhores, destacam-se Dinamarca, Finlândia e Cingapura, enquanto Somália, Sudão do Sul e Venezuela aparecem entre os piores.
Ao lado de 2024, o Brasil registra uma alta de um ponto, porém considerada estatisticamente insignificante pela organização, sugerindo estagnação na percepção de corrupção no setor público.
Retrospectiva 2025 e casos relevantes
A Transparência Internacional – Brasil divulgou a Retrospectiva 2025, com análise qualitativa dos avanços e retrocessos no combate à corrupção no último ano. O documento aponta infiltração do crime organizado no Estado, especialmente nos setores financeiro e da advocacia, e destaca avanços no uso da inteligência financeira para investigar lavagem de dinheiro.
Entre os casos citados no relatório, estão a apuração de suspeitas de comércio de sentenças no STJ, a operação Overclean da Polícia Federal envolvendo desvios em emendas e licitações, e a operação Sem Desconto no INSS. Também aparecem a Carbono Oculto, sobre sonegação e lavagem de dinheiro em fintechs e combustíveis, e a operação Master, ligada a fraudes no setor bancário.
Inteligência financeira x atuação policial
O documento ressalta que a estratégia de cruzamento de dados e integração entre órgãos públicos, característica da operação Carbono Oculto, é vista pela instituição como mais eficaz do que ações puramente repressivas.
Desafios na resposta a casos de corrupção
O relatório cita falhas na resposta a escândalos como o INSS, com críticas à velocidade de adoção de medidas e mudanças no Ministério da Previdência. A investigação indica continuidade de esquemas envolvendo governos anteriores e atuais, em diferentes fases.
Emendas parlamentares e orçamento
A Retrospectiva aponta aumento relevante de emendas parlamentares em 2025, com o valor total superando R$ 60 bilhões no orçamento de 2026. A prática se disseminou por estados e municípios, segundo a publicação.
Caso Master e atuação nos três Poderes
O relatório traz menções ao caso Master e registra tentativas de influência que teriam envolvimento com os três Poderes, fortalecendo a demanda por maior transparência e conduta ética no setor público.
Caminhos para a agenda anticorrupção
A organização aponta duas oportunidades: mobilização social capaz de barrar propostas de blindagem institucional e a alavancagem de perfis reformistas nos tribunais superiores. A Análise sugere, ainda, a criação de um código de conduta na cúpula do sistema de Justiça.
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