- Tarique Rahman retornou do exílio de quase duas décadas em Londres e pode vencer as eleições, tornando-se primeiro-ministro do Bangladesh, em uma reversão de fortune esperada segundo pesquisas.
- O filho de Khaleda Zia está buscando apresentar-se como estadista que mira acordos internacionais mais variados e menos dependentes de um único poder, em contraste com a atual primeira-ministra Hasina, que está exilada na Índia.
- Rahman prometeu ampliar a ajuda financeira a famílias pobres, incentivar indústrias como brinquedos e couro e promover um teto de dois mandatos de dez anos para o premiê, para conter tendências autocráticas.
- Desde o retorno, ele adotou um estilo mais contido, evitando retórica inflamada e pedindo pacificação e reconciliação, fortalecendo o apoio do Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP).
- Rahman afirma que restaurar e sustentar a democracia é sua prioridade, dizendo que apenas com democracia há prosperidade, responsabilidade e reconstrução do país.
Tarique Rahman retorna ao cenário político de Bangladesh após quase duas décadas no exílio em Londres, e pode participar de uma das eleições mais decisivas do país, visando tornar-se primeiro-ministro. Se as pesquisas se mantiverem, a votação de quinta-feira pode marcar uma virada histórica para o líder da Bangladesh Nationalist Party (BNP).
O político de 60 anos saiu de Bangladesh em 2008, alegando tratamento médico após ser liberado de detenção sob um governo de transição apoiado por militares. Ele havia sido detido em meio a uma onda de combate à corrupção. O retorno ocorreu cercado de expectativa entre apoiadores.
Rahman voltou para casa, no último Natal, em meio a uma movimentação popular que derrubou a principal adversária da BNP, a premiê Sheikh Hasina, em 2024. Hasina está exilada em Nova Deli; Rahman reconhece o peso da herança familiar na política do país.
Perfil familiar e trajetória. Rahman nasceu em Dhaka, em 1965, filho de Khaleda Zia, ex-primeira-dama e líder histórica da BNP, e do falecido presidente Ziaur Rahman, fundador da legenda. Estudou relações internacionais na Universidade de Dhaka e mais tarde abriu negócios no setor têxtil.
Desde o retorno, Rahman tem se apresentado com marca de contenção, evitando retórica inflamante e buscando respaldar diálogo e reconciliação. A ideia é recuperar a chamada “propriedade do povo sobre o estado” e reconstituir instituições públicas, segundo relatos da campanha.
Apoios e estratégias. Dentro da BNP, Rahman atua diretamente na seleção de candidatos, em estratégias e em negociações de alianças. A defesa de uma agenda de reformas democráticas e de combate à corrupção aparece como eixo central de sua comunicação.
Política externa e propostas. Rahman defende recalibrar parcerias internacionais para atrair investimentos sem depender excessivamente de um único país, contrastando com a imagem associada à liderança de Hasina. Entre as propostas, destaca-se ampliar auxílio a famílias pobres e ampliar setores como brinquedos e couro para além do vestuário.
Contexto político. A disputa ocorre em meio a uma crise de legitimidade institucional, com Hasina no exterior e Rahman buscando consolidar um espaço político mais amplo. A campanha enfatiza estabilidade, governabilidade e fortalecimentos institucionais como pilares.
Desfecho provável. A eleição, a ser realizada na quinta-feira, é fotografada por pesquisas como uma potential mudança de ciclo no país. Rahman busca consolidar posição de liderança para um mandato que promova reformas estruturais e maior independência econômica.
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