- PF aponta possível vazamento de informações antes da operação da Amprev no Banco Master, envolvendo o então diretor-presidente Jocildo Silva Lemos.
- Lemos deixou a residência antes da chegada dos agentes e entregou um celular recente, alegando que o aparelho anterior tinha tela defeituosa.
- Ele pediu exoneração do cargo e afirmou apoiar a atuação da Justiça e a responsabilização de responsáveis, destacando o crescimento de 41% do patrimônio da Amprev entre 2023 e 2025.
- A investigação apura se houve conhecimento antecipado da operação por parte de alguém próximo a Lemos, incluindo um amigo da Amprev e a esposa dele, cujo celular foi apreendido.
- A PF investiga aplicações de aproximadamente R$ 400 milhões em letras do Master feitas pela Amprev em 2024, com ressalvas de dois conselheiros sobre riscos e possível gestão temerária; Amprev afirma que os investimentos somam 4,7% da carteira e busca ressarcimento.
Um relatório da Polícia Federal entregue à Justiça Federal aponta possível vazamento de informações e aviso prévio a alvos da operação que investiga aplicações da Amprev no Banco Master. O foco seria Jocildo Silva Lemos, então diretor-presidente da Amprev indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Lemos deixou a residência antes da chegada dos agentes e entregou um celular de poucos dias de uso, sem histórico de mensagens. Ele alegou que o telefone anterior apresentava defeito na tela, oferecendo o novo aparato aos policiais durante o cumprimento do mandado.
Em nota, Lemos solicitou exoneração do cargo e afirmou manter compromisso com a instituição, segurados e com a verdade. A Amprev disse que o patrimônio da autarquia cresceu 41% entre 2023 e 2025 sob sua gestão.
No cumprimento do mandado, a Polícia Federal chegou à casa de Lemos pouco após as 6h de sexta-feira. A entrada foi autorizada por familiares; o presidente da Amprev não estava no local. O celular entregue apresentava-se com senha e sem uso evidente.
A PF questionou onde estaria o aparelho de uso contínuo. Lemos afirmou ter repassado o telefone anterior a um amigo, devido a problemas na tela, e disse que o repasse ocorreu na noite anterior. A polícia ainda não confirmou para quem foi o aparelho.
Outro ponto sensível envolve uma ligação do mesmo amigo, também ligado à Amprev, para o celular da esposa de Lemos, minutos antes da operação. O celular da esposa foi apreendido pela polícia, que avalia a possibilidade de conhecimento antecipado da defesa da ação.
Investigadores consideram que o episódio pode indicar possível tentativa de frustrar a coleta de provas mais sensíveis e apontam para a existência de interligações com outras pessoas ligadas ao caso. A hipótese depende de novas perícias e de confirmar destinos do aparelho.
Paralelamente, o Ministério Público do Amapá acompanha o caso e pode oferecer denúncia se houver elementos suficientes para responsabilização criminal, sem prejuízo de eventuais reflexos políticos.
Contexto das aplicações no Master
A PF investiga decisões tomadas em julho de 2024 pela Amprev, quando foram aplicados cerca de 400 milhões de reais em letras do Banco Master, instituição cuja cobertura pelo FGC é limitada. Documentos e atas mostram cautelas de alguns conselheiros quanto à concentração de risco, com recomendações de consulta ao TCU.
Conselheiros que apontaram riscos teriam defendido diligências adicionais, mas as propostas foram aprovadas. A PF analisa se houve gestão temerária ou fraude na condução dos investimentos. Em reunião, Lemos teria dito que a aprovação dos primeiros 200 milhões havia aliviado pressões, segundo informações não confirmadas em ata.
Lemos presidiu a Amprev de 2023 até esta semana e foi indicado ao cargo pelo presidente do Senado. A Justiça investiga se houve orientação ou coação para favorecer as aplicações de 400 milhões de reais no Master.
Reações e próximos passos
A relação de Alcolumbre com o caso não envolve investigação direta; sua assessoria nega qualquer participação. O presidente do Senado informou que o episódio deve ser investigado com transparência e respeito ao devido processo legal.
O tema também envolve a presença do irmão de Alcolumbre, Alberto, no Conselho Fiscal da Amprev desde 2023, ampliando o debate público sobre ligações entre a política estadual e a gestão da previdência. A investigação busca esclarecer responsabilidades.
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