- Novos documentos de Epstein mostram como ele se aproximou de elites francesas, incluindo a Hermès, que restituiu uma doação em 2016 após ficar desconfortável com o doador.
- No centro do escândalo está Jack Lang, ex‑ministro da Cultura, que aparece em centenas de registros com jantares, favores e viagens; ele afirmou boa‑fé e pediu renunciar ao Institut du monde arabe após investigação fiscal.
- Caroline Lang, filha de Lang, cofundou uma empresa nas Ilhas Virgens com Epstein; ele a deixou como beneficiária de 5 milhões de dólares no testamento, que ela diz não ter visto; ela afirma ser inocente de acusações criminais.
- A influência de Epstein na democracia francesa é vista mais no aspecto econômico e político do que em exploração sexual; entre 2018 e 2019, Steve Bannon discutiu com Epstein como apoiar finances de Marine Le Pen, ainda que não haja evidência de financiamento direto.
- A campanha de desinformação ligada à Russia aponta para tentar ligar Epstein a Emmanuel Macron, usando sites falsos e imagens manipuladas, demonstrando Epstein como elemento para corroer a credibilidade de adversários.
Em 2016, a casa de moda Hermès devolveu um item doado a leilão Beneficiado por Jeffrey Epstein, após identificar que ele poderia ser o comprador. Emails tornados públicos mostram que a plataforma de leilões foi informada de que Hermès não aceitava Epstein como doador, e o item foi reembolsado.
Os novos arquivos de Epstein, obtidos pelo Departamento de Justiça dos EUA, não revelam uma rede de pedofilia na França. Contudo, mostram como Epstein aproximou-se de setores políticos e culturais franceses, oferecendo jatos particulares, contatos e estruturas offshore a figuras de destaque.
No centro das investigações francesas está Jack Lang, hoje com 86 anos, ex-ministro da Cultura e ex-presidente do Institut du monde arabe. Ele aparece em diversos documentos com convites, jantares e favores associados a Epstein, incluindo pedidos de uso de um carro com motorista para eventos próximos a Paris.
Lang alega ter conhecido Epstein há cerca de 15 anos, sem conhecimento de seu histórico criminal. Diante de uma investigação preliminar por possível lavagem de dinheiro fiscal envolvendo Lang e a filha Caroline, ele propôs renunciar ao instituto que dirige.
Caroline Lang, produtora de cinema e ex-executiva da Warner Bros. na França, cofundou uma empresa com Epstein em 2016, supostamente para comercializar obras de jovens artistas franceses. A estrutura não foi declarada às autoridades fiscais francesas, segundo investigações de imprensa.
Na época, Epstein nomeou Caroline no testamento como beneficiária de 5 milhões de dólares pouco antes de sua morte. Caroline afirma não ter conhecimento dessa herança e não há acusações criminais contra ela, apenas questões fiscais e éticas.
Em rede de televisão, Caroline descreveu-se como pessoa ingênua, ressaltando que não é acusada de crime. As investigações destacam a relação entre elites culturais e financeiras, com dependência de recursos externos para sustentar estilos de vida.
Além de Lang, documentos vinculam Epstein a redes internacionais de influência, incluindo conversas entre Steve Bannon e Epstein em 2018 e 2019 sobre financiamentos de campanhas. Não há evidência de aportes diretos de Epstein a partidos franceses, apenas ligações com o ecossistema de financiamento privado.
Paralelamente, autoridades francesas identificaram uma campanha de desinformação ligada a Rússia, tentando associar Macron a Epstein por meio de sites falsos e amplificação nas redes. A operação demonstra o uso de Epstein como elemento de narrativa para descredibilizar governos.
A imprensa internacional relata que, fora da França, correspondências também emergem em Londres, Roma e Washington. Na França, o episódio questiona a ideia de uma elite cultural que se julga acima de qualquer escrutínio, exposto por meio de mensagens, viagens e estruturas financeiras.
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