- O ministro Dias Toffoli determinou que a Polícia Federal envie a ele todos os dados dos celulares apreendidos de Daniel Vorcaro que o citam em mensagens.
- A medida, anunciada no dia 12, acompanha apuração sobre possível estreita relação entre Vorcaro e Toffoli, com conversas telefônicas e mensagens entre eles.
- A PF aponta a possibilidade de ter ocorrido pagamentos de Vorcaro e convites para festas, além de citações que indicam proximidade entre as partes.
- Toffoli mencionou, ao decidir, um pedido dos advogados de defesa para ter acesso ao conteúdo das mídias e dos demais elementos probatórios, para cumprir a Súmula Vinculante 14.
- O ministro negou relações pessoais com Vorcaro em duas notas, mas admitiu ter sido sócio de uma empresa com irmãos vinculada ao resort Tayayá, no Paraná, deixando a sociedade antes de ser sorteado para relatar o caso.
O ministro Dias Toffoli, do STF, determinou que a Polícia Federal encaminhe a ele todos os dados dos celulares apreendidos que citam o banqueiro Daniel Vorcaro em mensagens. A decisão ocorreu nesta quinta-feira, após informações de que houve relação próxima entre eles, com conversas telefônicas e mensagens trocadas.
A ordem foi emitida com base em solicitação da defesa de Vorcaro para ter acesso ao conteúdo das mídias e demais provas documentadas. A PF já tinha levantado indícios de possível recebimento de pagamentos e convites para festas envolvendo Vorcaro, além de citações sobre a proximidade entre as partes.
Ao justificar a medida, Toffoli citou a necessidade de cumprir a Súmula Vinculante 14, preservando o direito de defesa, o contraditório e o devido processo legal. A PF entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório de quase 200 páginas com o material.
A Gazeta do Povo procurou o STF para esclarecer a determinação e aguarda retorno. A apuração sobre as mensagens e mídias resultou de investigações da GloboNews e do Estadão, que relataram o teor das conversas entre o banqueiro e Vorcaro.
As apurações também apontam que Toffoli estaria envolvido em um resort no Paraná por meio de um conhecido grupo empresarial. Em resposta, o ministro negou vínculos íntimos com Vorcaro e afirmou jamais ter recebido valores dele ou do cunhado, Fabiano Zettel.
Toffoli informou ainda ter atuado como sócio de uma empresa com irmãos que detinham cotas do empreendimento Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). Segundo ele, a atuação ocorreu de forma limitada pela Lei Orgânica da Magistratura e não havia participação na gestão.
Conforme declarações oficiais, Toffoli deixou a sociedade antes de ser sorteado para relatar o caso no STF, em novembro de 2025. O ministro ressaltou que a Maridt Participações é empresa familiar, registrada e sujeita a declarações fiscais, sem participação contínua no grupo Tayaya.
A apuração inclui ainda relatos de que funcionários tratavam Toffoli como proprietário do resort, e que irmãos do ministro teriam prestado informações dúbias ao longo do tempo. Um dos irmãos, José Eugênio, confirmou a sociedade sem mencionar o ministro diretamente.
Ciente das divergências, Toffoli afirmou que não houve relação de amizade com Vorcaro e reiterou que não participou de atividades ligadas ao resort. A defesa do ministro continua buscando esclarecimentos sobre a origem das informações veiculadas pela imprensa.
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