- Michelle Bolsonaro criticou a ala “Neoconservadores em Conserva” no desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula na Marquês de Sapucaí, chamando a fantasia de “escárnio que expõe a fé cristã”.
- A ala usava fantasias de lata com o rótulo “Família em Conserva”, representando a “família tradicional” e grupos associados ao neoconservadorismo, incluindo evangélicos, agronegócio, uma mulher de classe alta e defensores do regime militar.
- Lideranças conservadoras reagiram: o presidente da Frente Parlamentar Evangélica classificou a fantasia como inadmissível; Damares Alves afirmou que o governo tinha acesso ao roteiro; Nikolas Ferreira associou o episódio à política e eleições.
- O PT emitiu nota defendendo a manifestação como liberdade de expressão artística e cultural, ressaltando a autonomia da escola e que não houve propaganda eleitoral antecipada.
- O desfile ocorreu no domingo, com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”; Lula esteve no camarote da prefeitura e houve referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao impeachment de Dilma Rousseff.
Michelle Bolsonaro (PL) criticou publicamente uma ala do desfile da Acadêmicos de Niterói, no Carnaval do Rio. A ala Neoconservadores em Conserva apresentou fantasias com rótulos que zombavam de símbolos da fé cristã. A ex-primeira-dama classificou o enredo como escárnio.
A apresentação ocorreu na Marquês de Sapucaí, em noite de domingo anterior ao desfile principal. A alegoria trazia fantasias de lata com a imagem de um casal heterossexual e filhos, sob o rótulo Famílía em Conserva. A sinopse dizia representar a “família tradicional” e grupos do neoconservadorismo.
Michelle comentou pela rede social que o desfile promoveu zombaria contra evangélicos e pediu posição da Frente Parlamentar Evangélica. Segundo ela, a laicidade não autoriza humilhação, mesmo em contexto artístico. O caso gerou reação de lideranças conservadoras.
Reação de lideranças conservadoras
O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado Gilberto Nascimento, classificou a fantasia como inadmissível e afirmou que adotaria medidas cabíveis. Ele ressaltou a possibilidade de fiscalização, visto que a escola recebe verbas públicas.
Senadora Damares Alves afirmou que o governo teve acesso prévio ao roteiro, o que, segundo ela, legitima a ridicularização. O deputado Nikolas Ferreira relacionou o episódio ao cenário eleitoral, sugerindo uso político do tema.
Contexto do desfecho e desdobramentos
O PT divulgou nota em defesa da liberdade de expressão cultural, destacando autonomia da escola e afastando propaganda eleitoral antecipada. O enredo completo foi apresentado com o título Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil.
O desfile também teve críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com uma referência pejorativa a ele em carros alegóricos, além de menções ao impeachment de Dilma Rousseff. A apresentação ocorreu com Lula assistindo ao camarote da Prefeitura do Rio, ao lado do prefeito.
Ação judicial e recursos públicos
Antes do carnaval, o Novo entrou com representação no TCU para suspender repasse de R$ 1 milhão da Embratur à escola. O ministro relator Aroldo Cedraz negou o pedido, dizendo que os recursos obedecem a critérios isonômicos entre as escolas do Grupo Especial.
Damares Alves e Kim Kataguiri também abriram ações na Justiça contra o presidente, em razão do enredo, mas houve rejeições. Um pedido de proibição do desfile foi negado pelo TSE, mantendo a programação e os recursos já liberados.
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