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José Albino Cañas Ramírez, defensor de territórios indígenas, tem 44 anos

Assassinato de cabildante expõe risco contínuo a autoridades indígenas em Cañamomo Lomaprieta, com violência armada e proteção estatal ineficaz

José Albino Cañas Ramírez. From Facebook
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  • José Albino Cañas Ramírez, 44 anos, era cabildante do Resguardo de origen colonial Cañamomo Lomaprieta, na comunidade de Portachuelo, em Caldas, Colômbia, e foi morto a tiros na noite de 16 de fevereiro em sua casa.
  • A morte foi tratada como questão de governança: o cabildante ajudava a gerir a comunidade Emberá Chamí, com mais de vinte mil habitantes, em um território disputado por grupos armados, mineradores e interesses do Estado.
  • A região sofre há anos com violência ligada à mineração ilegal e presença de atores armados; em 2002, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos havia concedido medidas de proteção aos líderes, que permanecem em vigor.
  • A Resguardo respondeu à fatalidade, pedindo investigações, garantia de segurança aos demais líderes, reforço da Guarda Indígena e fiscalização internacional.
  • Em 2026, pelo menos vinte e uma lideranças sociais já foram mortas na Colômbia; organizações apontam que o país é um dos mais perigosos para defensores ambientais, com ataques continuados contra territórios e autonomia indígena.

José Albino Cañas Ramírez, 44 anos, foi assassinado na noite de 16 de fevereiro na casa onde morava, no Portachuelo, território Emberá Chamí em Caldas, Colômbia. Ele foi atingido por disparos por dois homens que invadiram a choperia que comandava e fugiram pelas trilhas da reserva. A morte é tratada como questão de governança pública, pois ele integrava o cabildo local.

Cañas Ramírez era cabildante do Resguardo de Cañamomo Lomaprieta, território com mais de 23 mil pessoas. Líderes afirmam que a perda atinge a base do autogoverno indígena e a vida comunitária está em risco diante de ameaças persistentes.

A EMBERÁ CHAMÍ, povo das montanhas, vive na região central e ocidental dos Andes. Suas terras são disputadas entre grupos armados, mineradores e interesses estatais há décadas, o que expõe lideranças a violência recorrente e alta vulnerabilidade.

Contexto e ameaças

O Resguardo enfrenta pressões ligadas à mineração ilegal e presença armada. Em 2002, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos concedeu medidas de proteção, reconhecendo o perigo aos seus dirigentes. Tais salvaguardas permanecem vigentes.

Cañas Ramírez atuava desde jovem pela defesa territorial e pela sobrevivência cultural. Entre as funções, esteve na resolução de conflitos, fortalecimento institucional e promoção da identidade local, sendo eleito repetidamente para cargos de responsabilidade.

Além disso, ele coordenava comitês de abastecimento de água e associações comunitárias, organizava projetos e ajudava a administrar serviços que costumam não chegar pelo Estado às populações rurais.

Ameaças e resposta institucional

Lideranças em Cañamomo Lomaprieta enfrentam riscos há anos. Em 2015, Fernando Salazar Calvo foi morto enquanto supervisionava regras de mineração artesanal; os autores intelectuais não foram identificados.

Permanecem ameaças a líderes atuais, com muitos sob proteção formal que não garante segurança em territórios remotos. O assassinato de Cañas Ramírez é visto como parte de um padrão histórico de ataques a defensores de território, autonomia e cultura.

Reação da comunidade e panorama

O Resguardo respondeu ao ocorrido por meio de petições formais, pedindo investigações, garantias de segurança aos dirigentes restantes, reforço da Guarda Indígena e monitoramento internacional. O tom foi técnico, enfatizando a necessidade de proteção.

Ao longo de 2026, pelo menos 21 líderes sociais já foram mortos na Colômbia, registrando um novo momento de violência contra defensores. Organizações lembram que cada caso representa ataque a vida comunitária.

Global Witness ainda aponta a Colômbia como um dos países mais perigosos para defensores ambientais. Em 2024, ao menos 48 pessoas foram mortas ou desapareceram; em 2023, foram 79 casos destacados pela ONG.

Desdobramentos

Autoridades locais declararam que a defesa do território não será interrompida. A comunidade permanece firme na proteção de suas terras, buscando continuidade dos mecanismos de autogoverno diante de ameaças. Não há conclusão sobre o desfecho institucional.

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