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Indígenas ocupam terminal da Cargill em Santarém contra decreto de Lula

Indígenas invadem terminal da Cargill em Santarém em protesto contra decreto de privatização de hidrovias, aumentando tensão e risco de desocupação

Indígenas também protestaram em frente à sede da Cargill, em São Paulo. (Foto: EFE/Sebastiao Moreira)
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  • Grupo indígena invadiu escritórios da Cargill no porto de Santarém (PA) na madrugada de sábado, 21, em protesto contra o Decreto 12.600 de Lula que inclui hidrovias no Programa Nacional de Desestatização.
  • Ações também foram registradas em frente à sede da empresa em São Paulo; a Cargill classificou os atos como violentos e informou que funcionários se abrigaram com segurança.
  • Organizações indígenas afirmam que o decreto autoriza explosões para remover rochas em rios amazônicos, enquanto ecologistas temem danos à fauna do Tapajós; o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) cobrou resposta do governo.
  • O governo informou que as obras de dragagem são de rotina para manter o tráfego na hidrovia do Tapajós e que não estão relacionadas aos estudos de concessão da hidrovia; foi criado um grupo de trabalho interministerial para debater o tema.
  • A Justiça determinou desocupação do terminal da Cargill em 48 horas, decisão que já havia sido revalidada após recursos; neste sábado, a Justiça Federal negou pedido de desocupação forçada do escritório da empresa no porto de Santarém.

Na madrugada de sábado, indígenas invadiram os escritórios da Cargill no porto de Santarém, no Pará, em protesto contra o Decreto 12.600, assinado pelo presidente Lula, que inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização. A ação ocorreu após manifestações em frente à sede da empresa em São Paulo, também associadas ao mesmo tema.

Segundo a Cargill, na noite anterior houve ações violentas contra a empresa. Um grupo vandalizou a fachada do prédio em São Paulo. Horas depois, o terminal de Santarém foi invadido pelos manifestantes, que já bloqueavam a portaria de caminhões havia 30 dias.

Funcionários presentes buscaram abrigo em locais fechados e foram retirados com segurança. A Cargill informou que continua em contato com as autoridades para a desocupação ocorrer de forma ordeira e segura.

Contexto do decreto e posicionamento das partes

Organizações indígenas associam o decreto à autorização de uso de explosivos para detonar rochas no leito do Tapajós e de outros rios amazônicos, o que preocupa ecologistas pela fauna regional. A entidade representa 14 povos do Baixo Tapajós.

O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns afirmou que a invasão ocorreu após um mês sem respostas a demandas apresentadas. Em carta aberta, a organização disse que a medida autoriza privatização de trechos estratégicos dos rios e que a mobilização busca revogação do decreto.

A carta também reiterou abertura ao diálogo e manteve a mobilização até haver um compromisso concreto, destacando que consideram a Cargill entre os beneficiários das obras de dragagem. A empresa rejeita qualquer responsabilidade no projeto.

Reações e posicionamentos institucionais

A Associação Brasileira dos Terminais Portuários classificou os atos como inaceitáveis e contrários ao espaço democrático. A entidade destacou que as demandas indígenas deveriam tramitar por vias públicas, sem violência contra a iniciativa privada.

O governo federal enviou representantes ao Pará e afirmou que as obras de dragagem são ações de rotina para manter o tráfego fluvial na hidrovia. Um grupo interministerial foi criado para discutir o tema, sem relação direta com o decreto.

O Ministério Público Federal manteve decisões judiciais que, anteriormente, haviam determinado o desbloqueio do cais, mas houve reviravolta na jurisprudência. A Justiça Federal negou pedido de desocupação à força, priorizando diálogo.

Desdobramentos legais e operacionais

O bloqueio do cais já havia sido desfeito temporariamente, mas voltou a ganhar vigência após decisões judiciais. A Justiça manteve a desocupação do terminal, com ressalvas para evitar agravamento do conflito. O fluxo de mercadorias permanece sob monitoramento.

Fontes ligadas ao caso apontam que o governo busca equilibrar direitos constitucionais dos povos originários com a continuidade de atividades econômicas na região. As partes afirmam que seguem disponíveis para negociações e para evitar medidas mais severas.

Este sábado marcou mais uma etapa do confronto entre representantes indígenas, o poder público e a iniciativa privada, em torno do Decreto 12.600, e das hidrovias do Tapajós, Tocantins e Madeira. A situação segue sob atuação de autoridades locais e federais.

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