- Em Nepal, o rapper Balendra Shah, conhecido como Balen, é visto como principal candidato a primeiro-ministro após a eleição geral de 5 de março, quatro meses após uma revolta juvenil que levou à renúncia do então primeiro-ministro K. P. Sharma Oli.
- Shah ganhou popularidade como prefeito de Katmandu em 2022 e tem forte presença nas redes sociais, com mais de 3,5 milhões de seguidores, conectando-se principalmente aos jovens.
- Seu partido, o Rastriya Swatantra Party (RSP), é centrista e promete manter relações equilibradas com os dois gigantes vizinhos, a China e a Índia.
- No programa, o RSP propõe criar 1,2 milhão de empregos, reduzir a migração forçada, elevar o PIB per capita para 3.000 dólares e oferecer seguro de saúde para toda a população, tudo em cinco anos.
- Críticas de direitos humanos apontam uso de polícia para confiscar imóveis de vendedores ambulantes, e analysts alertam que o caminho até o poder exigirá uma equipe competente para reformar a administração.
Balendra Shah, conhecido como Balen, nasceu do cenário musical de Kathmandu e surge como principal nome na corrida ao premiê do Nepal. O movimento ganhou força após a renúncia do ex-primeiro-ministro K P Oli, resultante de um levante juvenil em setembro do ano passado. A eleição geral está marcada para 5 de março.
Shah, de 35 anos, chegou à prefeitura de Kathmandu em 2022 como músico independente e tornou-se figura central do novo partido Rastriya Swatantra Party (RSP). Em pesquisas informais, analistas e veículos locais indicam-no como favorito para a vaga de primeir ministro, à frente das tradicionais elites políticas.
O apoio a Shah se traduz em símbolos visuais em ônibus que chegam à capital, além de cobertura intensa nas redes sociais, onde acumula milhões de seguidores. A radiante presença digital contrasta com a menor exposição da velha guarda política tradicional nepalesa e ressalta o apelo entre jovens.
Durante o mandato como prefeito, Shah priorizou infraestrutura urbana, manejo de resíduos e serviços de saúde, o que ajudou a consolidar seu respaldo entre eleitores urbanos. Entretanto, críticas de grupos de direitos humanos contestam ações envolvendo operações com vendedores ambulantes e pessoas sem terra.
A RSP, que se define como centrista, promete manter relações equilibradas com vizinhos chineses e indianos e mira a criação de empregos e a contenção da migração forçada. Se eleito, Shah dependeria de uma equipe técnica para reformar o aparato estatal, apontam analistas.
Contexto político e desdobramentos
O Nepal vive uma bancada fragmentada com influência de partidos que variam entre alinhamento com China e proximidade com a Índia. A ascensão de Shah pode reconfigurar alianças e estratégias governamentais, especialmente diante de uma economia com baixa renda per capita.
Fontes próximas ao cenário político destacam que o sucesso de Shah dependerá de sua capacidade de formar uma equipe competente e de enfrentar críticas sobre governança, corrupção e gestão pública. O resultado da eleição permanece incerto e as pesquisas não são consistentes.
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