- Milei conseguiu aprovar três leis importantes em sessões extraordinárias de fevereiro, controlando a agenda no Congresso.
- A reforma trabalhista mais extensa em cinco décadas permite jornada de até doze horas, reduz custos de demissão, desonera impostos para empresas e flexibiliza o poder sindical.
- Alegações de artigos polêmicos foram retirados do texto depois de pressão de aliados; a oposição promete questionar judicialmente as mudanças.
- Foi aprovada a redução da idade de imputabilidade penal para quatorze anos, medida que divide opiniões sobre sua eficácia e impacto social.
- O cenário político-econômico mostra Milei consolidando influência, com aproximação a Donald Trump e consequências perceptíveis na inflação, dívida externa e atividade econômica.
O presidente argentino Javier Milei assegurou a aprovação de três grandes leis em sessões extraordinárias de fevereiro, consolidando seu controle sobre a agenda do Congresso. O avanço ocorre mesmo com a base aliada dividida e o Peronismo enfraquecido por deserções.
A reforma trabalhista é a principal vitória de Milei, permitindo jornadas de até 12 horas, flexibilizando demissões, reduzindo encargos para empresas e limitando o direito de greve, com acordos por empresa. Parte do texto foi retirada para viabilizar a aprovação.
Para aprovar a lei, o governo guardou artigos sensíveis, entre eles o que prevê redução salarial de funcionários afastados por doença. Aliados do PRO e da UCR forçaram a retirada, adiando a votação definitiva em uma semana.
O papel do Senado e da oposição
Patricia Bullrich, senadora e líder da oposição, consolidou seu espaço ao assumir a presidência do Senado e afastar parte da oposição mais radical. A mudança aconteceu após a debilitação de três senadores peronistas e a saída de Cristina Kirchner.
Karina Milei, irmã do presidente, atua como secretária geral e figura-chave do aparato político. Sua presença nos momentos de votações reforça a articulação entre o governo e o Legislativo, segundo analistas.
O clima no Congresso contrasta com o ano anterior, quando a oposição conseguiu manter vetos de Milei. Hoje, o governo avançou com maior coesão, mesmo com resistência popular e críticas sobre consequências sociais das reformas.
Contexto econômico e social
A redução da inflação é creditada por Milei entre os avanços reconhecidos pelo público, mas a volta de dados oficiais aponta inflação ainda elevada. O país registra queda de crescimento em diversos setores, com alta vulnerabilidade de salários.
Em fevereiro, a inflação seguiu subindo e elevando a pressão sobre famílias, que enfrentam endividamento recorde. O empobrecimento relativo ocorre mesmo com estabilização de taxas cambiais, segundo especialistas.
A recuperação fiscal envolveu cortes em gastos públicos, afetando setores como educação, saúde e obras. Analistas destacam desigualdade setorial: mineração e energia mostram avanço, enquanto consumo e turismo permanecem fracos.
Panorama internacional e econômico
No front externo, Milei aproximou-se de Donald Trump, que acionou apoio financeiro para conter o dólar, em meio a tensões cambiais. A relação bilateral inclui viagens e diálogos que influenciam o manejo econômico.
Entretanto, o empresariado enfrenta dúvidas sobre o custo das reformas para a competitividade e emprego formal. Casos de fechamento, como o da Fate, reafirmam o dilema entre abertura e proteção de mercados.
Desafios futuros
Especialistas apontam que, para sustentar o impulso reformista, o governo precisa de resultados econômicos mais consistentes e redução de déficits. A dívida externa e as reservas continuam como principais desafios a partir de 2026.
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