- 144 atendimentos médicos entre 15 de janeiro e 22 de fevereiro, em 39 dias, média de quase quatro por dia.
- Relatório da Papudinha embasou a decisão de Moraes de negar a prisão domiciliar humanitária.
- Perícia aponta múltiplas doenças crônicas, como hipertensão, apneia do sono, obesidade, aterosclerose e refluxo; estado geral bom e sem necessidade de transferência hospitalar.
- Rotina no batalhão inclui 33 caminhadas, 13 sessões de fisioterapia, 36 visitas (advogados e outros) em 29 dias, com acompanhamento médico; alimentação com déficit de frutas, verduras e hortifrúti, mas dieta fracionada é viável.
- Acorda por volta das cinco horas, melhora de cerca de oitenta por cento no sono com CPAP; tratamento para soluços foi iniciado, sem diagnóstico de depressão.
O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu 144 atendimentos médicos entre 15 de janeiro e 22 de fevereiro, em 39 dias. O acompanhamento ocorreu na Papudinha, unidade da Polícia Militar do Distrito Federal, e serviu de base para a decisão do STF de negar a prisão domiciliar humanitária.
Segundo o relatório, Bolsonaro tem múltiplas doenças crônicas, como hipertensão, apneia do sono, obesidade, aterosclerose e refluxo gastroesofágico. A perícia concluiu que não há necessidade de transferência hospitalar no momento.
A defesa e o Ministério Público acompanharam o relatório, que descreve ainda atividades diárias do ex-presidente, como caminhadas e leitura. O laudo aponta melhora de 80% no sono desde o início do uso de CPAP.
Contexto médico e funcionamento da Papudinha
O documento registra 33 caminhadas, 13 sessões de fisioterapia e 36 visitas de advogados em 29 dias. Também houve atendimento de capelania em quatro ocasiões e acompanhamento do médico particular, Dr. Brasil Caiado.
Ainda conforme o laudo, Bolsonaro dorme por volta de 22h e acorda às 5h, com tendência a levantar às 8h. Pela manhã, dedica-se à leitura, incluindo obras ligadas a temas da defesa do ex-presidente.
Durante o dia, o ex-presidente realiza atividades como repouso após o almoço e sessões de televisão, mantendo diálogo com o policial da guarda externa e uma caminhada de cerca de 1 km na área comum.
Condições físicas e alimentação
O laudo descreve estado geral bom, com orientação no tempo e espaço, memória preservada e melhoria no sono com o uso do CPAP. Em relação ao refluxo, aponta que repouso após as refeições e peso desequilibrado prejudicam o tratamento.
A alimentação é relatada como pobre em frutas, verduras e hortaliças, com consumo frequente de ultraprocessados. Mesmo assim, o documento afirma que a unidade prisional tem capacidade para dieta fracionada e acompanhamento médico.
Moraes também registrou que houve 36 visitas de parlamentares, governadores e aliados, reforçando a avaliação de boa condição física e mental do condenado. Entre os visitantes, estiveram autoridades em atuação política.
Decisão judicial e desdobramentos
No último fim de semana, aliados apresentaram cartas de Bolsonaro sobre futuras candidaturas e críticas a setores da direita, defendendo união no campo conservador. A transferência para Papudinha resultou de articulação com Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.
Ao negar a prisão domiciliar, Moraes destacou que a medida é excepcional e não está comprovada a necessidade médica de tratamento fora do cárcere. O relatório reforça que, segundo a perícia, não houve falha na gestão de saúde no regime atual.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe, em regime inicial fechado, conforme decisão judicial. A avaliação médica mantida aponta condições estáveis que não exigem mudança de regime neste momento.
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