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Compliance Zero volta ao cárcere

Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, é preso na terceira fase da operação Compliance Zero, por ordem do ministro André Mendonça, por ameaças, corrupção e lavagem de dinheiro

Compliance Zero/ De volta ao cárcere
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  • Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela quarta-feira 4, sob determinação do ministro André Mendonça, na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos.
  • Ele já esteve na carceragem da Polícia Federal em novembro; na primeira fase foi preso ao tentar embarcar em um avião particular rumo a Malta, e respondeu ao processo em liberdade com tornozeleira eletrônica.
  • A PF aponta o uso de uma milícia privada ligada a Vorcaro, que teria realizado ataques a jornalistas, funcionários e concorrentes, além de monitorar o jornalista Lauro Jardim; o grupo atuava via WhatsApp, em especial a operação “A Turma”.
  • Fabiano Zettel, pastor e cunhado de Vorcaro, também foi alvo de mandados e se entregou em São Paulo; ele é apontado como principal responsável por pagamentos ao grupo, chegando a até 1 milhão de reais por mês.
  • Mendonça determinou o sequestro e bloqueio de até 22 bilhões de reais para interromper a movimentação de ativos; a investigação envolve venda de títulos podres, lavagem de dinheiro e corrupção; defesa de Vorcaro nega as acusações.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi novamente preso na quarta-feira, 4, em decorrência da 3ª fase da Operação Compliance Zero. A prisão ocorreu por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no STF desde 19 de fevereiro. A investigação apura crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.

A nova fase mira atividades de suposta milícia particular ligada ao empresário. Vorcaro já havia passado pela carceragem da Polícia Federal em novembro e foi impedido de ficar preso por 12 dias, liberado com tornozeleira eletrônica. A PF aponta que o grupo monitorava desafetos e jornalistas, com ações de intimidação.

A apuração envolve o grupo conhecido como “A Turma”, com membros de uma rede de espionagem. Entre as acusações estão mensagens na liderança da organização, solicitando ataques a jornalistas, concorrentes e a pessoas ligadas a ex-funcionários. A PF também aponta uso de credenciais de terceiros para acessar sistemas de órgãos públicos.

O processo cita houve tentativas de vigilância sobre o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, além de mensagens que sugerem ataques diretos. Um dos integrantes, identificado como Sicário, chegou a ser preso, mas cometeu suicídio na carceragem de Belo Horizonte. Outras pessoas ligadas ao círculo de Vorcaro são investigadas por participação na rede de espionagem.

Fabiano Zettel, pastor ligado à Igreja Lagoinha e cunhado do banqueiro, também é alvo de mandado de prisão. Zettel já havia sido preso em janeiro ao tentar deixar o país, com destino a Dubai. Ele é apontado como operador financeiro do grupo, com pagamentos que teriam chegado a 1 milhão de reais mensais.

Entre os nomes citados nas comunicações, o senador Ciro Nogueira aparece como possível interlocutor do banqueiro. Mensagens sugerem vínculos com propostas de emenda para ampliar o FGC, o que, se concretizado, poderia ampliar o rombo já registrado pela liquidação do Master. Nogueira nega proximidade com Vorcaro.

Além de Vorcaro, o ministro Mendonça autorizou buscas e o bloqueio de bens de até 22 bilhões de reais. O objetivo é interromper a movimentação de ativos do grupo e aprofundar a apuração sobre fraudes envolvendo o Master. A defesa de Vorcaro sustenta a regularidade da conduta, enquanto a de Zettel reclama de acesso aos autos.

A investigação também envolve dois servidores do Banco Central, que teriam atuado como consultores informais do banqueiro. A PF aponta que o grupo teve acesso a sistemas de órgãos públicos e até de organismos internacionais. O caso segue em andamento, com novas diligências previstas pelas autoridades.

A operação se insere em um contexto de crise financeira do Master, cuja liquidação impactou o Fundo Garantidor de Créditos, estimado em bilhões de reais. As autoridades afirmam que a apuração continua para esclarecer as responsabilidades de todos os envolvidos.

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