- TikTok removeu ao menos 20 vídeos ligados à trend “treinando caso ela diga não” após reportagem do g1 e início de investigação da Polícia Federal sobre o conteúdo violento.
- Os vídeos simulavam abordagens românticas seguidas de reações agressivas diante da rejeição, muitas vezes com socos em objetos, luta ou golpes com faca.
- Perfis que publicaram as cenas permanecem no ar, segundo a plataforma, que afirma cumprir as Diretrizes da Comunidade e atuar contra discurso de ódio ou promoção de ideologias de ódio.
- A Polícia Federal abriu um procedimento investigativo após receber denúncia sobre publicações que incitariam violência contra mulheres; a PF pediu preservação de dados e retirada do material.
- A tendência ganhou força perto do Dia Internacional das Mulheres e envolve criadores com grande alcance; autoridades da Câmara avaliam encaminhar o tema à PGR para eventual responsabilização criminal.
O TikTok removeu vídeos que simulavam agressões contra mulheres, vinculados à trend “treinando caso ela diga não”, após reportagem do g1 e a abertura de investigação pela Polícia Federal. Ao menos 20 posts foram retirados da plataforma mediante solicitações com links encontrados pela reportagem na segunda-feira (9).
Os conteúdos mostravam encenações de abordagens românticas e, em seguida, referências a possíveis respostas negativas. Em muitos casos, as cenas incluíam ações agressivas contra objetos ou com utensílios cortantes, sugerindo reações violentas a rejeições.
A PF informou que abriu um procedimento investigativo para apurar a divulgação de conteúdos que incitem violência contra mulheres em redes sociais. A corporação solicitou preservação de dados e a remoção do material durante as diligências.
Repercussão e desdobramentos
O g1 identificou perfis com grande alcance, de 883 mil a 177 mil seguidores, que publicaram conteúdos entre 2023 e 2025 somando mais de 175 mil interações. Um representante com grande visibilidade, o influencer Yuri Meirelles, apagou um vídeo e pediu desculpas, descrevendo o episódio como uma brincadeira antiga.
A circulação da trend também envolve instituições parlamentares. A Comissão de Segurança Pública deve encaminhar à Procuradoria-Geral da República pedido para investigar publicações similares e avaliar responsabilização por apologia à violência.
Especialistas destacam que conteúdos virais tendem a ganhar mais alcance, o que facilita a disseminação. Segundo pesquisadores, plataformas costumam priorizar engajamento, o que pode dificultar a remoção rápida de conteúdos nocivos.
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