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Sob Milei, refúgio passa a ser tema político e menos jurídico na Argentina

Conare sob Milei politiza concessão de refúgio; caso Corrêa expõe maior controle estatal sobre decisões, segundo especialistas

21.jan.2026 - Javier Milei discursa no Fórum Econômico de Davos
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  • A Argentina reconheceu o status de refugiado do brasileiro Joel Borges Corrêa, foragido da Justiça brasileira por participação no 8 de Janeiro.
  • A decisão é associada a uma politização crescente da Comissão Nacional para os Refugiados (Conare) sob o governo de Javier Milei, com mudanças na lei e na composição do órgão.
  • Milei extinguiu o Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e o Racismo (Inadi) e transferiu assentos da Conare para o Ministério da Segurança, aumentando o controle governamental.
  • Foi promulgado um decreto de caráter urgente que alterou os motivos para concessão e negação de refúgio, sem análise prévia do Congresso, segundo especialistas.
  • Corrêa foi condenado a treze anos e seis meses de prisão no Brasil, foi preso na Argentina em novembro de 2024 e teve o refúgio concedido em 4 de março, com divulgação pública apenas ontem.

O governo argentino concedeu refúgio a Joel Borges Corrêa, brasileiro foragido da Justiça do Brasil, ligado aos eventos do 8 de Janeiro. A decisão foi anunciada com publicação recente, após o pedido ter sido apreciado pela Conare.

A análise aponta que, sob o governo de Javier Milei, houve mudanças na Lei de Refugiados e na composição da Conare, ampliando o controle do poder político sobre as decisões. A reforma ocorreu desde 2024, em meio a uma série de ajustes institucionais.

Segundo o advogado Diego Morales, diretor jurídico do Cels, Milei promoveu alterações que enfraqueceram o peso técnico da Conare. Entre as mudanças, destaca-se a substituição do Inadi pela estrutura do Ministério da Segurança.

Morales afirma que a Conare passou a integrar mais diretamente o Ministério da Segurança, atuando sob orientação do presidente. Em paralelo, houve divulgação de que o tema de refúgio foi deslocado para questões de segurança nacional.

Raisa Cetra, da ONG Artigo 19, aponta que as mudanças reforçam uma linha de segurança nacional alinhada a posições de direita. A escolha por Corrêa é vista como recado político em coordenação com o cenário regional.

Corrêa foi condenado no Brasil a mais de 13 anos por participação em tentativa de golpe. Ele foi preso na Argentina em novembro de 2024, após atravessar a Cordilheira dos Andes. A defesa apresentou o pleito de refúgio com base em perseguição política.

A decisão de conceder refúgio foi tomada em 4 de março, mas só foi tornada pública recentemente. Em termos técnicos, o status de refugiado não deve ser visto como juízo sobre o Brasil, segundo a Conare, que não divulgou detalhes ao UOL.

A defesa de Corrêa circulou a decisão entre jornalistas, o que gerou debates sobre confidencialidade. Morales ressalta que a exposição pública de casos de refúgio envolve riscos para os solicitantes, algo que Milei já havia enfrentado em situações anteriores.

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