- O PT discute candidatura ao governo do Maranhão com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, conhecido por ser “isentão” e líder de pesquisas, como peça de consenso em meio a impasse entre vice-governador Felipe Camarão e o governador Carlos Brandão.
- Pesquisas recentes mostram Braide na liderança, seguido por Orleans Brandão, Lahesio Bonfim e Camarão; a disputa internaliza a rejeição de consenso entre aliados de Lula.
- Mesmo sem apoio público de Camarão, há atuação nos bastidores que avalia a possibilidade dele disputar o Senado, caso o Palanque Lula tenha força no estado.
- A senadora Eliziane Gama (PSD) atua na articulação, com perspectiva de ocupar a vice ou disputar o Senado; o ministro do Esporte, André Fufuca, também é cotado para integrar a chapa.
- O governador Brandão insiste em lançar Orleans Brandão, sobrinho e secretário, e rejeita acordos que deem palanque a outros nomes; PT e dinistas resistem a esse palpite e procuram neutralidade ou outra composição.
O PT iniciou negociações para a candidatura ao governo do Maranhão em meio a um impasse entre aliados próximos ao presidente Lula. A ideia é apoiar um nome que não se posicione claramente de esquerda ou de direita, elevando as chances de palanque forte no estado. Eduardo Braide, atual prefeito de São Luís, emerge como possível operador dessa solução.
Braide, eleito em 2020 e reeleito em 2024, ficou conhecido pela postura de “isentão” e não sinalizou apoio a Lula nem a Bolsonaro em eleições passadas. No Maranhão, ele seria visto como ponte entre o PT e setores do eleitorado que criticam polarização.
A disputa envolve o vice-governador Felipe Camarão (PT), que deseja concorrer ao governo, e o governador Carlos Brandão (sem partido), que apoia Orleans Brandão (MDB), sobrinho e atual secretário. A relação entre as lideranças é marcada por racha e desentendimentos históricos.
A possibilidade de consenso é considerada remota. Conversas informais entre Lula e outras forças locais já não produziram acordos, segundo informações de bastidores. O cenário atual favorece a busca por nomes de consenso fora da linha principal de cada grupo.
Publicamente, Camarão e aliados mantêm posição de não compor com Braide, mas há articuladores nos bastidores avaliando a viabilidade de o vice concorrer ao Senado, caso haja aliança com o PT. A aposta é fortalecer o palanque lulista no estado.
Dados de pesquisa apontam Braide à frente na região. Segundo o Instituto Paraná, ele aparece com 34,6% das intenções de voto, seguido de Orleans Brandão com 30,3% e Lahesio Bonfim, ligado a Bolsonaro, com 16,1%. Camarão soma 6,9%.
Braide tem pressões para definir candidatura a tempo de renunciar à prefeitura. Nos últimos meses, ele tem feito elogios públicos a Lula, movimento interpretado como teste de reação do eleitorado e possível estratégia de leitura de cenário.
O PT tem acompanhado de perto o cenário e, conforme apuração do UOL, Braide contratou pesquisa para avaliar aceitação de candidatura ao governo ligado à presença de Lula. A ideia é medir impacto entre eleitores conservadores e alinhados ao atual governo.
Entre os nomes cotados para compor a chapa, Eliziane Gama (PSD) atua como articuladora entre Braide e o PT, com possibilidade de entrar como vice ou disputar o Senado. André Fufuca (PP), ministro do Esporte, também é visto como opção para o palanque presidencial.
O governador Brandão mantém posição de lançar Orleans como candidato ao governo, rejeitando alternativas de consenso. Petistas e dinistas afirmam que houve acordo em 2022 para uma swap de cargos, acordo que Brandão sustenta ter rompido.
A tensão entre Brandão e Camarão ganhou projeção após a posse de 2023, quando rachas se consolidaram e grupos ligados a Flávio Dino romperam com o governante atual. Brandão nega traição e afirma que Orleans é o nome mais competitivo.
A sinalização do PT nacional até o momento é evitar apoiar Orleans, avaliando que o acordo não se sustenta. Enquanto a disputa permanece aberta, Brandão busca neutralidade ou apoio de aliados para sustentar o palanque do sobrinho, e Lula atualiza estratégias nacionais.
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