- A desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, da corrida presidencial reconfigura o cenário eleitoreiro e pode influenciar o posicionamento dos principais candidatos.
- O cientista político Leonardo Barreto afirma que a escolha entre Eduardo Leite ou Ronaldo Caiado pelo PSD alteraria a disputa pelo eleitor mediano e redesenharia as candidaturas.
- Se Eduardo Leite for o candidato do PSD, Flávio Bolsonaro seria empurrado para a direita, tornando a disputa entre dois candidatos de centro-esquerda e um de direito mais evidente.
- Se Ronaldo Caiado for o candidato, a dinâmica muda para dois nomes de direita e um de esquerda, abrindo espaço para Flávio Bolsonaro buscar uma imagem mais moderada.
- A ausência de Ratinho Júnior também pode influenciar Lula, que poderia atrair eleitores de centro, mas enfrenta o desafio de manter a promessa de governo moderado associada ao seu governo.
A ausência do governador Ratinho Júnior (PSD) da disputa presidencial reconfigura o cenário eleitoral, com impactos diretos no posicionamento de Lula e Flávio Bolsonaro. A leitura é de Leonardo Barreto, cientista político e sócio da Think Policy, que analisa as candidaturas de centro.
Para Barreto, o modelo espacial de eleições coloca o eleitor mediano no centro das atenções. Esse eleitor pode, porém, estar deslocado para a esquerda ou para a direita, dependendo do momento político. O grupo é decisivo para definir estratégias.
A saída de Ratinho Jr. muda as opções do PSD e pode influenciar o caminho de Flávio Bolsonaro. Se Eduardo Leite for o candidato do partido, o entorno de Flávio tende a se deslocar para a direita, encostando o senador na margem direita do espectro.
Caso Ronaldo Caiado vença o posto, a tendência é que ele se coloque mais à direita, permitindo que Flávio busque uma imagem mais moderada. Barreto ressalta que Caiado pode tornar Flávio o candidato com viés mais central, no imaginário do eleitor indeciso.
Essa configuração beneficia Lula ao manter sua posição de esquerda, mas impõe desafios. O maior entrave é o desgaste de uma promessa de governo moderado feita em 2022, o que pode exigir demonstração de firmeza frente aos adversários.
Segundo o analista, o voto de centro dependerá de como Lula se posicionar em relação aos demais concorrentes. Mesmo com Ratinho fora, não há garantias de ganho do eleitorado independente, que observa as propostas e a credibilidade dos rivais.
Uma variável relevante para um eventual segundo turno é o apoio dos outsiders. Quem Leite apoiaria em uma disputa direta sem sua candidatura? E que caminho Caiado indicaria? Essas alianças podem definir o desfecho da eleição.
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