- O governo do Distrito Federal tentou envolver o Tribunal de Contas da União para viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB, mesmo diante de indícios de fraudes na instituição.
- O movimento ocorreu em dois momentos, segundo a área técnica AudBancos do TCU: primeiro em 2 de setembro de 2025, durante avaliação do Banco Central; depois, em 3 de setembro, após o BC ter barrado a operação.
- Em setembro, a Procuradoria-Geral do DF solicitou celeridade na análise e afirmou que atraso poderia configurar omissão administrativa e comprometer a segurança jurídica do negócio.
- Em seguida, o GDF protocolou pedido de liminar no TCU para suspender de forma imediata as deliberações do Banco Central e obter uma análise final pela Corte de Contas.
- A área técnica do TCU apontou que a insistência do GDF visava usar o TCU como via recursal inadequada para contornar a decisão do BC, com potencial risco de prejuízo ao patrimônio público e à solidez de uma instituição financeira pública.
O governo do Distrito Federal (GDF) tentou influenciar o Tribunal de Contas da União (TCU) para viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB, mesmo diante de sinais de fraudes na instituição. As informações foram obtidas pela CNN Brasil em documentos da área técnica do TCU.
Segundo autos, o GDF atuou em dois momentos distintos no processo. O primeiro ocorreu em 2 de setembro de 2025, quando o Banco Central (BC) ainda avaliava a operação. A procuradoria-geral do DF pediu celeridade na análise, argumentando que atraso poderia configurar omissão administrativa.
No segundo momento, após o BC ter barrado a operação, o GDF protocolou pedido de liminar no TCU em 3 de setembro para suspender os efeitos da decisão do BC. Também solicitou, no mesmo dia, a suspensão até uma análise final do TCU.
Contexto e avaliação técnica
A área técnica do TCU afirma que a insistência do GDF visava usar o tribunal como via recursal para contornar a decisão do BC, sobretudo diante das irregularidades já detectadas. O relatório aponta risco de descolamento entre gestão pública e princípios constitucionais.
Na análise, destaca-se que a conduta dos administradores do BRB e do seu controlador pode violar deveres de diligência, probidade e proteção ao erário. A operação seria potencialmente lesiva ao patrimônio público diante de ativos insubsistentes e passivos ocultos.
A avaliação técnica também indica que a aquisição de um banco insolvente, sem diligência adequada, poderia gerar prejuízos bilionários ao patrimônio do DF e comprometer a solidez de uma instituição financeira pública que atende milhares de pessoas.
A CNN Brasil tentou ouvir o GDF, o BRB e o TCU. Não houve retorno até a publicação; o espaço permanece aberto para manifestações oficiais.
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