- Ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli teriam utilizado aeronaves vinculadas a Daniel Vorcaro; voos teriam sido contratados pelo escritório Barci de Moraes, da esposa de Moraes, e pela Prime Aviation, ligadas a Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
- Advogados ouvidos defendem que os fatos podem indicar conflito de interesse ou uso indiretamente de recursos de origem ilícita, sendo necessária abertura de apuração, mesmo sem comprovação de crime.
- No caso de Moraes, a defesa afirma que os voos não envolveram Vorcaro ou Fabiano Zettel e que o escritório contrata serviços de táxi aéreo conforme critérios operacionais.
- No caso de Toffoli, documentos apontam voo de uma aeronave da Prime Aviation até Marília (SP), com deslocamentos de seguranças do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo para Ribeirão Claro (PR), próximo ao resort Tayayá.
- A Gazeta do Povo aponta gasto de cerca de R$ 450 mil com seguranças em viagens de Toffoli desde dezembro de 2022; investigadores divergem sobre o potencial conflito de interesse e a necessidade de apuração.
A revelação de que os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli utilizaram aeronaves ligadas a empresas associadas a Daniel Vorcaro gerou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e o uso de recursos privados. Os documentos foram levantados pela Folha de S.Paulo e abriram uma frente de apuração sobre relações entre autoridades públicas e agentes privados sob investigação.
Os voos envolvendo Moraes teriam sido contratados pelo escritório Barci de Moraes, ligado à esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. Já os registros referentes a Toffoli apontam deslocamento em aeronave da Prime Aviation, com destino a Marília (SP). A rota sustentaria a proximidade com o resort Tayayá, no Paraná, citado em documentos relacionados ao caso.
Vorcaro foi apresentado como controlador de empresas associadas às aeronaves, elevando dúvidas sobre a fronteira entre atividade comercial e imparcialidade judicial. Os advogados ouvidos pela Gazeta do Povo destacam a necessidade de apuração para confirmar ou afastar suspeitas de conflito de interesse.
Em resposta, o gabinete de Moraes negou as alegações, afirmando que as acusações são falsas. O escritório de Viviane Barci de Moraes também assegura que não houve relação entre Vorcaro, Zettel e os voos em questão, e que as contratações seguem critérios operacionais sem vínculos pessoais com proprietários de aeronaves.
No caso de Toffoli, não há confirmação de benefício direto a partir dos voos. Documentos indicam apenas deslocamentos com escolta de seguranças de órgãos oficiais, o que reforça a necessidade de esclarecer a relação entre as viagens e o contexto de eventual interesse econômico envolvido.
Especialistas divergem sobre a gravidade e o alcance dos indícios. Alguns defendem que há motivos para abertura de apuração preliminar para verificar regularidades e preservar a confiança institucional. Outros argumentam que os indícios, por ora, não configuram prova de ilegalidade sem elementos adicionais.
Advogados consultados destacam que a discussão envolve aparências de conflito de interesse e, em casos de setores públicos, a transparência é essencial para manter a legitimidade do Judiciário. A possibilidade de impedimento ou suspeição depende de critérios jurídicos específicos e de comprovação mais robusta.
A pauta de apuração deve centralizar a verificação da regularidade das contratações de táxi aéreo pelo escritório de Viviane Barci de Moraes e a relação com Vorcaro, bem como o papel de eventuais vínculos entre as partes envolvidas. O objetivo é esclarecer fatos e confirmar a regularidade dos atos.
Até o fechamento, as assessorias não haviam enviado respostas formais sobre o andamento das investigações ou sobre eventual abertura de processos. As informações disponíveis indicam apenas que o tema será alvo de escrutínio público e institucional.
Entre na conversa da comunidade