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Mulheres são as que menos se identificam com partidos entre eleitores

37% das pessoas sem representação partidária são mulheres, evidenciando lacuna estrutural na representatividade feminina

Para especialistas, tentativa de cooptação de eleitoras ganhou mais força a partir de 2022
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  • A pesquisa Ipsos-Ipec de março aponta que 32% dos brasileiros não se sentem representados por nenhuma sigla; entre eles, 37% são mulheres.
  • Mesmo sendo 51,5% da população, as mulheres ainda formam minoria em cargos de poder e no debate político.
  • Politicamente, o PT é líder de preferência com 27% dos entrevistados, mas também é o mais rejeitado, com 37% de opositores; o PL tem 19% de preferência e 19% de rejeição.
  • Especialistas dizem que há uma lacuna do voto feminino e barreiras estruturais que dificultam a cooptação das eleitoras pelas siglas.
  • Observa-se que a esquerda investe em agendas sociais, mas enfrenta alta rejeição, enquanto a direita coleta apoio entre evangélicos e eleitores de maior renda, com atuação mais efetiva nas redes.

A pesquisa Ipsos-Ipec realizada em março deste ano aponta que 32% dos brasileiros não se sentem representados por nenhuma sigla partidária. Entre esses, 37% são mulheres, o que indica uma parcela significativa do eleitorado feminino fora das estruturas partidárias.

Mesmo representando 51,5% da população, as mulheres seguem como minoria em cargos de poder e no debate político. Na Câmara, por exemplo, respondem por menos de 20% do total de parlamentares. A falta de identificação com siglas também se verifica nas ruas.

Para especialistas, o movimento de cooptação do voto feminino ganhou força a partir de 2022, mas não tem conseguido transformar o cenário em equilíbrio político entre gêneros. O estudo revela uma lacuna entre as ações partidárias e as demandas femininas.

Distanciamento histórico

O levantamento aponta que PT e PL concentram tanto maior preferência quanto maior rejeição entre eleitores. O PT surge como favorito para 27% dos entrevistados, mas é rejeitado por 37%. O PL tem 19% de preferência e 19% de rejeição, segundo o levantamento.

A visão de Marcela Machado, doutora em Ciência Política, ilustra a dinâmica. Segundo ela, a rejeição ao PT é mais alta que a do PL entre eleitoras, o que não se traduz em apoio majoritário a qualquer sigla entre esse grupo. O padrão revela uma mobilização que não converte o eleitorado feminino.

Machado aponta também barreiras estruturais que afetam a participação feminina na política. O sistema partidário ainda não incorpora plenamente as demandas e experiências das mulheres, o que dificulta a criação de agendas que conversem com esse público.

Para a pesquisadora, o afastamento é institucional mais do que de interesse. Embora tenha havido avanços, o incentivo à participação das mulheres na eleição continua insuficiente. A explicação aponta para dificuldades históricas de acesso e engajamento.

Mulheres como ativo político

Letícia Mendes, cientista política da BMJ Consultores Associados, afirma que o acesso das mulheres à arena política é o ponto inicial. Quando passam a participar, as mulheres passam a influenciar as eleições, inclusive por meio de candidaturas em cargos executivos.

Mendes diz ainda que, apesar de haver interesse feminino, a comunicação dos programas partidários não cria identificação prática suficiente com diferentes perfis de eleitoras. Ela vê a esquerda com maior foco em agendas sociais, mas com rejeição elevada, enquanto a direita mobiliza eleitores conservadores e de renda mais alta.

Segundo Machado, há tentativa de instrumentalização do voto feminino, porém com desempenho ainda fraco em criar vínculos políticos duradouros. Ela ressalta que cotas de gênero, quando criadas, não costumam gerar incentivos consistentes para participação eleitoral.

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