- A Polícia Federal enviou ao ministro Alexandre de Moraes um novo relatório que conclui que o ex-presidente Jair Bolsonaro não interferiu em investigações da PF durante o seu mandato.
- O inquérito, aberto em 2020 a pedido do ex-senador Sergio Moro, investiga a possibilidade de interferência para favorecer familiares e aliados.
- O relatório, apresentado em 2 de abril, afirma não haver indícios de interferência nos inquéritos que miravam as fake news e os atos antidemocráticos.
- Moraes conduziu os inquéritos com um grupo de delegados e agentes da PF; Valeixo afirmou que as apurações não passavam pela chefia da instituição.
- O inquérito segue aberto, com novo parecer solicitado pelo ministro ao procurador-geral Paulo Gonet.
O inquérito que apura suposta interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal teve um novo relatório enviado ao ministro Alexandre de Moraes. A PF reitera que não houve ingerência em investigações contra familiares e aliados do ex-chefe do Executivo.
O inquérito, aberto em 2020 a partir de denúncia do senador Sergio Moro, avançou com depoimentos e dados sigilosos. Moraes já havia vetado a nomeação de Alexandre Ramagem para a chefia da PF por desvio de finalidade, em decisão liminar até a aposentadoria do ministro Celso de Mello.
Em 2022, a subprocuradora Lindôra Araújo pediu o arquivamento com base em relatório anterior da PF que não identificava ingerência criminosa. O atual procurador-geral Paulo Gonet pediu a reabertura, o que levou Moraes a solicitar um novo parecer.
Novo relatório reforça conclusão da PF
O delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo afirma no documento que as investigações sobre familiares e aliados eram conduzidas por Moraes, sem interferência de Bolsonaro. Os inquéritos citados incluem os de fake news, aberto em 2019, e o de atos antidemocráticos, de 2021.
Moraes já afirmou, em resposta a questionamentos, que não há indícios de interferência nos inquéritos conduzidos pelo ministro com apoio de delegados e agentes da PF. A perícia segue em andamento e não houve conclusão de novas medidas até o momento.
O relatório ressalta que, segundo depoimentos, as investigações ligadas a Moraes resultaram em condenações já transitadas em julgado. Entre elas, está o processo relacionado à tentativa de golpe, em que Bolsonaro recebeu pena de 27 anos em instâncias superiores.
Maurício Valeixo, ex-diretor-geral da PF, reiterou em depoimento que as apurações não passavam pelo comando da corporação, o que dificultaria qualquer intervenção direta de Bolsonaro. O ex-presidente, por sua vez, afirmou ter tentado demitir Valeixo para indicar Ramagem, por suspeitas de vazamento de informações sigilosas.
O inquérito continua aberto, com Moraes solicitando novo parecer de Gonet para avançar em qualquer desdobramento. As informações seguem sob controle processual e não há divulgação de novos indícios de interferência.
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