- Alexandre Ramagem, ex-delegado da Polícia Federal e ex-diretor da Abin, foi detido nos Estados Unidos pelo ICE nesta segunda-feira, conforme apuração da Polícia Federal brasileira.
- O ex-deputado federal teve mandato cassado em dezoito de dezembro de 2025, no mesmo dia em que Eduardo Bolsonaro também perdeu o mandato.
- Em janeiro, o Ministério da Justiça informou ao Supremo Tribunal Federal que o pedido de extradição foi entregue aos EUA em trinta de dezembro de 2025.
- Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão em regime fechado por organização criminosa, tentativa de golpe e violação do Estado democrático.
- Em outubro de 2023, a PF deflagrou operação que apurou uso irregular da Abin para monitorar ministros do STF e outras figuras via ferramenta FirstMile; a ação resultou na prisão de dois servidores da Abin.
Alexandre Ramagem, delegado da Polícia Federal e ex-diretor da Abin, foi detido nos Estados Unidos nesta segunda-feira pelo ICE, segundo informações recebidas pela PF brasileira. Ele cumpre mandado de prisão emitido no Brasil e já estava condenado a 16 anos e 1 mês de reclusão por participação em resposta ao golpe. A detenção ocorre em meio a procedimentos de extradição que já estão em andamento.
A decisão de cassar o mandato de Ramagem ocorreu em 18 de dezembro de 2025, data em que a Câmara dos Deputados também confirmou a perda do mandato de Eduardo Bolsonaro. A defesa de Ramagem alegou que a decisão foi uma “canetada” e criticou a atuação de figuras da Câmara, sem apresentar detalhes sobre novas fases do processo.
Extradição em curso
No final de janeiro, o Ministério da Justiça informou ao STF que o pedido de extradição já havia sido entregue ao governo dos EUA em 30 de dezembro de 2025. A tramitação deve seguir os procedimentos diplomáticos e judiciais estabelecidos, com avaliação de admissibilidade pela Justiça norte-americana.
Ramagem teve trajetória ligada ao governo de Jair Bolsonaro, incluindo nomeação para chefiar a Abin em 2019. Anteriormente, atuou como superintendente da PF no Ceará e como assessor no Planalto, consolidando uma aliança política que se estende desde a campanha de 2018, quando passou a segurança pessoal do então candidato.
Investigações e antecedentes
Em outubro de 2023, a PF deflagrou operação que apurou uso ilegal da Abin para monitorar ministros do STF, políticos e jornalistas por meio da ferramenta FirstMile. A ação, Batizada de Vigilância Aproximada, cumpriu 21 mandados de busca e resultou na prisão de dois servidores da agência. Ramagem atribuiu as ações a uma pauta de austeridade.
Condenação e recursos ao STF
Ramagem foi condenado pelo STF por organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito e golpe de Estado, com pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias em regime fechado, além da perda do mandato. A análise de crimes cometidos após a diplomaticação como deputado foi suspensa pelo STF.
A defesa sustenta que a participação seria de menor importância e questiona a aplicação automática da perda do cargo de delegado da PF. Os advogados também argumentam que o crime teria natureza permanente e continuaria depois da diplomação.
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