- A CPI do Crime Organizado encerra atividades em cinco meses sem ouvir nomes-chave; foram aprovados 123 requerimentos, mas apenas 19 depoimentos ocorreram.
- Do total de oitivas marcadas, 14 de 34 não compareceram, equivalentes a 41%.
- foros como Ibaneis Rocha, Roberto Campos Neto e Daniel Vorcaro foram chamados diversas vezes, mas tiveram habeas corpus concedidos pelo STF, impedindo os depimentos.
- O único governador a comparecer entre os estaduais foi o de Santa Catarina, Jorginho Mello.
- A comissão aprovou quebras de sigilo, mas decisões do STF as enfraqueceram; a prorrogação de 60 dias foi negada e o relatório final será votado hoje, com indícios sobre o funcionamento do crime organizado e o Banco Master.
A CPI do Crime Organizado encerra seus trabalhos sem ouvir nomes considerados-chave, após cinco meses de atuação. O Senado informa que, dos 123 requerimentos aprovados, apenas 19 depoimentos foram realizados pela comissão.
Do total de convocações, 14 das 34 audiências marcadas não ocorreram, equivalentes a 41% de ausências. Entre os chamados, estavam Ibaneis Rocha, ex-governador do Distrito Federal, Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, e Daniel Vorcaro, ligados a suspeitas de fraude no Banco Master, todos com habeas corpus obtido no STF.
Cláudio Castro também teve depoimento adiado diversas vezes. A última convocação, prevista para o dia 7, foi alterada para esta terça, prazo final da CPI. A secretaria da Mesa informou que o ex-chefe do Executivo do Rio não pôde viajar a Brasília por motivos de saúde, com quadro de lombalgia.
O objetivo original e o comparecimento de governadores
Desde a instalação, a comissão buscava ouvir governadores e secretários de Segurança Pública de estados considerados exemplos na atuação contra o crime organizado. Ao longo do processo, apenas o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, compareceu.
A CPI aprovou 38 requerimentos de quebra de sigilo, mas as ações ficaram fragilizadas por decisões do STF que anularam parte das deliberações dos parlamentares.
Prorrogação, relatório e próximos passos
Houve tentativa de prorrogação por mais 60 dias, sem sucesso. O relator Alessandro Vieira (MDB-SE) pediu a extensão ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mas o pedido foi recusado, com a justificativa de não comprometer o calendário eleitoral.
O relatório final, em pauta nesta terça, deve apresentar indiciamentos e detalhar a atuação de facções e milícias, além de mapear a reação do país a cada estado. Também incluirá dados sobre pagamentos a políticos e autoridades, segundo a CPI.
Segundo Vieira, a comissão contrariou entraves externos, mantendo o andamento dos trabalhos e pressionando pela apuração de irregularidades. A expectativa é que o texto seja encaminhado aos órgãos competentes, caso aprovado.
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