- O ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, prestou depoimento à Polícia Federal em fevereiro e negou participação no esquema de fraudes de descontos associativos contra aposentados e pensionistas.
- A PF aponta rombo de até R$ 6 bilhões relacionados às fraudes. Stefanutto está preso desde novembro do ano passado.
- Ele responsabilizou a Dataprev, empresa responsável pelos dados usados nos descontos, pela operação sistêmica que processa os descontos.
- Stefanutto afirmou ter trabalhado contra as fraudes e ter pedido informações à PF para gerir o órgão; a Dataprev não se pronunciou até o momento.
- Entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2025, houve 4.925 reclamações na Ouvidoria do INSS sobre descontos indevidos; o caso levou ao afastamento dele e de outras pessoas, e Carlos Lupi acabou demitido em 2 de maio.
O ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto prestou depoimento à Polícia Federal (PF) em fevereiro, negando participação em um esquema de fraudes de descontos associativos contra aposentados e pensionistas. A PF aponta um rombo estimado em até 6 bilhões de reais. Stefanutto está preso desde novembro do ano passado.
No depoimento, ele afirmou ter atuado para evitar fraudes já suspeitadas internamente e afirmou ter buscado informações junto à PF para gerir o órgão. O ex-chefe do INSS no governo Lula também atribuiu a responsabilidade aos dados processados pela Dataprev, a empresa de tecnologia da previdência responsável pelos descontos.
Dataprev não se manifestou até o fechamento desta edição. A empresa já havia sido citada por Stefanutto em documentos enviados ao Congresso, nos quais disse que as autorizações de descontos são repassadas pelas associações à Dataprev, que executa a operação sistêmica e o processamento dos descontos.
Papel da Dataprev e desdobramentos
Entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2025, a Ouvidoria do INSS registrou 4.925 reclamações de descontos indevidos, que continuaram ocorrendo. Stefanutto assinou as respostas em 7 de abril,16 dias antes da operação da PF e da CGU em 23 de abril. Quatro pessoas da cúpula do INSS foram afastadas.
O escândalo levou à demissão de Stefanutto, ainda durante o dia da operação. O ministro Carlos Lupi também deixou o cargo no dia 2 de maio, nove dias após a ação policial. As investigações seguem para apurar relações entre o INSS, Dataprev e as associações.
Entre na conversa da comunidade