- Deputados enviaram uma carta ao secretário do Departamento de Segurança Interna e ao secretário interino do ICE, apresentando preocupações sobre o uso de software da Palantir e de outras tecnologias de vigilância na repressão imigratória.
- O conjunto de ferramentas citado envolve Palantir, Clearview AI, PenLink, simuladores de torres de celular da L3Harris e tecnologia de vigilância de celulares da Paragon Solutions, com potencial de reunir grandes volumes de dados pessoais.
- Os parlamentares questionam quais dados governamentais ou comerciais são integrados aos sistemas da Palantir e pedem informações sobre o aplicativo ELITE (Enhanced Leads Identification and Targeting for Enforcement), incluindo desenvolvimento, finalidade e número de DHS autorizados.
- Foi solicitado um relatório abrangente sobre o uso dessas ferramentas, incluindo autoridades legais, políticas internas de retenção de dados e salvaguardas para evitar abusos.
- A carta também pergunta se dados de cidadãos dos EUA são coletados ou retidos e se houve uso de reconhecimento facial em operações de imigração, com prazo de resposta até 24 de abril.
A Câmara dos Deputados norte-americana intensificou a pressão sobre o Departamento de Segurança Interna (DHS) e a imigração, ao enviar uma carta ao secretário Markwayne Mullin e ao secretário interino do ICE, Todd Lyons. A demanda questiona o uso de software da Palantir e de outras empresas de vigilância no endurecimento das políticas de imigração do governo. A carta foi obtida pela WIRED e enviada na quinta-feira.
Os parlamentares detalham preocupações sobre como o DHS utiliza ferramentas de Palantir, além de tecnologias de reconhecimento facial, monitoramento de redes sociais, simuladores de torres de celulares e vigilância de aparelhos móveis. O conjunto de ferramentas pode coletar, agregar e analisar grandes volumes de dados pessoais, segundo o texto da carta.
Entre as questões levantadas, está a existência de salvaguardas para evitar uso indevido de informações sensíveis e quem tem acesso a elas. Os autores pedem a identificação de datasets integrados aos sistemas da Palantir e informações sobre o app ELITE, destinado a identificar e direcionar ações de enforcement. A resposta solicitada deve chegar até 24 de abril.
Nova York é a base de parte dos questionamentos, com o deputado Dan Goldman defendendo que a tecnologia vem sendo utilizada para sustentar uma agenda de deportação em massa. O documento também solicita detalhamento sobre políticas internas que regem o uso e retenção de dados, incluindo dados de cidadãos norte-americanos.
A carta destaca que a Palantir já atua como fornecedora de serviços para o ICE e o CBP, incluindo ferramentas de gestão de casos e o Immigration Lifecycle Operating System. Em 2025, as receitas governamentais da Palantir atingiram cerca de US$ 1 bilhão, quase o dobro do ano anterior, segundo o parlamentarismo. A iniciativa mostra a ênfase político-técnica sobre o papel da empresa nesse cenário de fiscalização de fronteiras.
Os autores também perguntam se o DHS coleta, armazena ou processa dados de cidadãos dos EUA derivados de operações de imigração, e solicitam exemplos de casos envolvendo reconhecimento facial para identificar indivíduos durante operações. A carta exige transparência sobre as autoridades legais que regem o uso dos dados e a duração de seu armazenamento.
Representante John Garamendi, coautor da missiva, afirma que a fiscalização deve ser examinada com rigor e que informações sobre o uso de tecnologia por agências federais precisam ser claras. A ação ocorre em meio a debates sobre privacidade, civis e supervisão institucional.
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