- PF liga MC Ryan SP a esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado, com uso de bets, rifas ilegais e empresas ligadas à produção musical, que movimentou R$ 1,6 bilhão.
- Cartos Sociedade de Crédito forneceu infraestrutura de Banking as a Service à estrutura do grupo, firmando contratos e funcionando como “nó logístico” na Operação Narco Fluxo, ligada ao Banco Master.
- MC Ryan SP foi preso temporariamente; associação dele ao esquema envolve lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e do crime organizado, por meio de apostas e estruturas empresariais.
- PF aponta possível “cegueira deliberada” da Cartos ao aceitar cadastros manifestamente viciados; Coaf teria recebimento de informações com dados rasos entre 6 e 16 de outubro de 2024.
- Cartos já foi investigada pela CPI do INSS por supostos desvios e fraudes, com apontes de uso de empresas de fachada para dar aparência de legitimidade a operações envolvidas com o Master.
A Polícia Federal relaciona o esquema de MC Ryan SP a uma fintech alvo de investigações em curso. Segundo a corporação, a Cartos Sociedade de Crédito, atuante como provedora de infraestrutura financeira, foi usada pela engrenagem criminosa liderada por Ryan SP para lavagem de dinheiro ligada ao tráfico internacional de drogas. A operação envolve, ainda, fraudes bilionárias no INSS e as investigações da Operação Narco Fluxo, deflagrada na última semana.
A PF afirma que, sob a liderança de MC Ryan SP, foram criadas empresas de fachada e firmados contratos com a Cartos SCD. Essas ações teriam permitido sustentar o fluxo de recursos ilícitos por meio de serviços de Banking as a Service e de contratos com produtoras de música e entretenimento associadas ao responsable. A quantidade movimentada pela ideia criminosa, segundo a PF, alcançou cerca de 1,6 bilhão de reais.
A prisão temporária de Ryan SP ocorreu na quarta-feira, 15, durante a operação. A PF o aponta como cabeça do grupo voltado à lavagem de dinheiro do crime organizado e do tráfico de drogas, com participação de apostas clandestinas, rifas ilegais e empresas ligadas ao setor musical. A defesa do funkeiro sustenta que os recursos em circulação possuem origem comprovada e são tributados regularmente.
Sob o rótulo de “nó logístico”, Estefany Pereira da Silva é citada pela PF como pessoa que firmou contratos com a Cartos SCD, com possível cegueira deliberada da fintech. O relatório aponta que a Cartos forneceu a infraestrutura para sustentar a operação com dados cadastrais questionáveis, incluindo capital social baixo para uma suposta corretora de investimentos. A PF classifica a Cartos como alvo central de investigações de alta gravidade.
A investigação aponta que a Cartos poderia ter aceitado dados cadastrais inconsistentes para viabilizar a participação de empresas do grupo no sistema financeiro. O delegado Gustavo Pachioni Martins destaca que a instituição teria contribuído para a emissão de créditos supostamente falsos, evidenciando vulnerabilidades no Banking as a Service utilizado pelo esquema.
O material da PF também questiona a atuação da Cartos perante o Coaf, acusando a fintech de apresentar uma postura negligente e de ter emitido informações rasas sobre movimentações entre outubro de 2024. Segundo a PF, esse padrão pode indicar uma prática sistemática de conivência com o fluxo de recursos ilícitos no Sistema Financeiro Nacional.
Histórico institucional da Cartos é citado pela PF como relevante ao contexto da CPI do INSS, que investigou desvios em benefício de aposentados estimados em bilhões. O relatório da CPI cita a Cartos entre as empresas sob escrutínio, ressaltando que parte das operações envolveu a liquidação do Banco Master, com uso de carteiras de crédito supostamente fraudulentas. A comissão encerrou o processo com votação que rejeitou o relatório final.
A PF reforça que a Cartos teria utilizado de laranjas de preparo para estruturar CNPJs destinados ao esquema e, posteriormente, transferi-los para operações maiores. A investigação descreve ainda que a empresa estaria envolvida em atividades que poderiam conferir aparência legítima a operações fraudulentas em grande escala, com impactos no setor financeiro brasileiro. As autoridades seguem apurando vínculos entre as operações da Cartos, as atividades do grupo de MC Ryan SP e as demais frentes investigativas em curso.
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