- O ex-banqueiro Daniel Vorcaro suspendeu a entrega de imóveis avaliados em R$ 146 milhões ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, após receber informações de que era investigado pelo Ministério Público Federal.
- Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, teria obtido cópias do inquérito sigiloso e enviado a Vorcaro por WhatsApp em 24 de junho.
- A Polícia Federal aponta alta probabilidade de Vorcaro ter ciência da instauração do procedimento antes de receber as cópias, o que sustenta o argumento para a prisão preventiva de Costa por risco de interferência, e também de Daniel Monteiro.
- A defesa de Costa afirmou que ele não cometeu crime e que a prisão foi exagero da Justiça; Monteiro também é alvo de mandado de prisão preventiva.
- Em diálogos entre Vorcaro e Monteiro, Costa reclamava da demora na entrega dos imóveis de São Paulo; Monteiro atuava na blindagem documental e na arquitetura societária para aquisição dos imóveis vinculados ao Master e ao BRB.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro suspendeu a entrega de imóveis avaliados em 146 milhões de reais ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, após tomar conhecimento de informações sigilosas do Ministério Público Federal sobre uma investigação. A ordem ocorreu no contexto do caso Master, conforme decisão do ministro do STF André Mendonça publicada nesta quinta-feira (16).
Segundo as investigações, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, repassou cópias de peças do inquérito a Vorcaro por meio do WhatsApp em 24 de junho. As mensagens indicam que Vorcaro, por meio de seu advogado envolvido em negócios imobiliários, Daniel Monteiro, pediu que qualquer negociação fosse interrompida com Costa.
A PF sustenta que há alta probabilidade de Vorcaro ter ciência da instauração do procedimento antes de receber as cópias, o que embasaria a prisão preventiva de Costa por risco de interferência nas investigações e de rearticulação do esquema. Monteiro também é alvo de mandado de prisão preventiva.
Desdobramentos
Costa, representado pelo advogado Cléber Lopes, afirma que não houve crime e que a prisão foi exagerada pela Justiça. A defesa nega ilícitos cometidos pelo ex-presidente do BRB. A reportagem não localizou os advogados de Monteiro, com nomes ocultados na decisão do STF.
Trechos de mensagens entre Vorcaro e Monteiro indicam que Costa pressionava pela conclusão das negociações envolvendo imóveis em São Paulo. A PF aponta que Monteiro tinha papel central na blindagem documental das operações fraudulentas vinculadas ao Banco Master, incluindo a criação de estruturas que deram aparência de legalidade a contratos e documentos mercantis apresentados ao BRB.
De acordo com os investigadores, as negociações envolveriam imóveis por meio de fundos geridos por entidades ligadas a Vorcaro, com a titularidade transferida a terceiros, em esquema que visava ocultar a origem das operações. As apurações apontam ainda que a operação envolvia carteiras de crédito que teriam sido apresentadas como legítimas, apesar de inconsistências identificadas pelo Banco Central.
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