- O ex-presidente pró-Rússia Rumen Radev é visto como forte favorito na eleição de domingo, com pesquisas apontando mais de trinta por cento e quase dez pontos à frente do segundo colocado, Boyko Borissov.
- A participação deve superar cinquenta por cento, frente cerca de trinta e cinco por cento nas últimas eleições, impulsionada por um novo candidato e pela atuação do governo interino contra compra de votos.
- Borissov, líder do GERB, aparece em segundo, com margens de erro entre três e três e meio por cento.
- Um eventual parceiro de governo para Radev seria o bloco We Continue the Change, projetado a ficar entre doze e quatorze por cento, embora questões de política externa possam dificultar coalizões.
- a Bulgária pediu apoio da União Europeia para conter a influência russa nas redes sociais e em sites de propaganda durante o pleito.
Bulgária encara eleição com foco em proeminente candidato pró-Rússia e desconfiança institucional
A Bulgária, membro da UE e da OTAN com 6,5 milhões de habitantes, vive período de instabilidade desde 2021. Naquele ano, o então primeiro-ministro conservador Boyko Borissov deixou o cargo após protestos massivos contra corrupção e injustiças.
Desde então, nenhum governo permaneceu estável por mais de um ano. Protests de rua e acordos de bastidores provocaram sete eleições antecipadas inconclusivas em cinco anos, ampliando a descrença nas instituições e a abstenção.
No mês passado, o país solicitou auxílio da diplomacia da UE para conter tentativas russas de influenciar a opinião pública, por meio de redes sociais e sites de propaganda. A medida baseou-se em alertas de especialistas sobre redes de desinformação ativas.
Pesquisa de opinião aponta alta na participação neste domingo, acima de 50%. O movimento deve refletir ainda a atuação do governo interino, com operações policiais, prisões e investigações por compra de votos.
A previsão indica que a coalizão de Radev possa obter mais de 30% dos votos, cerca de 10 pontos percentuais acima de Borissov, líder do GERB. Borissov encerrou seu último mandato após os protestos de dezembro de 2025.
Radev se apresenta como opositor da máfia e das ligações entre políticos de alto escalão e o crime organizado. Em comício recente, prometeu derrubar o modelo oligárquico de governança.
Segundo as pesquisas, Radev deve terminar em primeiro lugar, mas pode precisar de parceiros para formar coalizão estável. Ele já descartou alianças com Borissov ou com o Movement for Rights and Freedoms.
Um possível parceiro seria o bloco pró-Oeste We Continue the Change, previsto em 12% a 14% das intenções de voto. No entanto, divergências em política externa podem dificultar a cooperação.
Questões externas também pesam no cenário. Embora tenha condenado a agressão russa, Radev tem sido cauteloso com envio de armas a Kyiv e apoia retomada de negociações com Moscou como saída para o conflito.
A pesquisadora Evelina Slavkova, do Trend, afirmou que é improvável uma guinada da Bulgária em direção a Moscou. Ela destacou que a adesão a OTAN, UE, ao euro e ao Schengen fortalece o país.
Slavkova lembrou que, na campanha, Radev evitou respostas firmes, buscando equilíbrio entre posições. Segundo a especialista, governar exige clareza de caminhos.
Conclui-se que a eleição pode consolidar a liderança de Radev, com necessidade de construção de coalizão estável, diante de temas internos e de alinhamentos externos relevantes.
Contribuição de reportagem: Valentina Petrova, Sofia, com apoio adicional de agência AP.
Fontes: AP e análise de especialistas citados na matéria.
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